Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
LETRAS (40002012012P8)
ECOS DA ESQUIZOLINGUAGEM EM CLARICE LISPECTOR E ANTONIN ARTAUD
JHONY ADELIO SKEIKA
TESE
28/09/2017

Esta pesquisa analisa a construção da escrita literária de Clarice Lispector e Antonin Artaud, a fim de sustentar a ideia de que esses dois autores exercitam expressões de uma linguagem experimental, desfragmentada, multifacetada, híbrida, que mistura diversos signos de maneira insólita; dicções literárias daquilo que, a partir dos estudos dos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari, chamo de Esquizolinguagem. O trabalho está dividido em 4 partes, as quais têm a pretensão de funcionar pela lógica de platô – “uma região contínua de intensidades, vibrando sobre ela mesma, e que se desenvolve evitando toda orientação sobre um ponto culminante ou em direção a uma finalidade exterior” (BATESON apud DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 33). Embora isso seja meio paradoxal, já que uma tese pretende criar um discurso, se não inédito, original sobre um determinado objeto, o que implicaria conceber conclusões, esta pesquisa não pretende estabelecer uma teoria estanque sobre a obra de Artaud e de Lispector, mas antes verificar as zonas de convergência e conexão entre as produções desses autores, procurando delinear traços da estética do discurso artístico-literário exercitado nos textos escolhidos. No primeiro platô acompanhamos o passeio do esquizofrênico pela máquina capitalista, procurando refletir sobre as confluências entre a noção de esquizofrenia que norteia este trabalho e o território da linguagem, onde se territorializa o sujeito esquizo. O segundo platô é o espaço de intensidades clariceanas, remontando o percurso da linguagem na obra de Clarice Lispector até chegar ao processo doloroso de escritura de Água viva (1973). Procuro conectar as discussões sobre a (in)eficiência da língua humana e seu escape para a pintura, música, linguagem do corpo, silêncio, etc. a alguns quadros que foram pintados pela autora, isso na tentativa de perceber um projeto estético-literário acontecendo na produção de Lispector. O terceiro platô esboça a dinâmica de escritura de Antonin Artaud e o amadurecimento da proposta chamada de Teatro da Crueldade, também refletindo sobre os diversos signos evocados em sua pictografia (DERRIDA, 1998). As obras que ganham maior atenção são Les sorts (1937-1939), Artaud le Mômo (1947), Suppôts et suppliciations (1947) e 50 dessins pour assassiner la magie (1948) – textos que estiveram no foco das minhas pesquisas durante o estágio doutoral PDSE na Université Paris X (Nanterre, La Défense, França), que aconteceu entre setembro de 2014 e maio de 2015. Por fim, o quarto platô procura abordar, a partir da ótica da Esquizoanálise (DELEUZE; GUATTARI, 1995, 2010), uma conduta de construção literária a partir de uma linguagem multifacetada, híbrida, deslocada, insólita, etc., e que, em alguns casos, rompe com o sistema da língua – a Esquizolinguagem –, procurando nos textos de Artaud e Lispector algumas características possíveis desse procedimento esquizo de criação. Todavia, como indicado no título do trabalho, o que alcanço são apenas vislumbres e ecos dessa expressão de linguagem. Portanto, o movimento analítico exercitado no âmbito desta tese é o de territorializar algumas características dessa expressão esquizo que podem ser percebidas na produção desses autores, especificamente, nos textos escolhidos.

Clarice Lispector;Antonin Artaud;Esquizolinguagem
Cette recherche analyse la construction de l’écriture littéraire de Clarice Lispector et d’Antonin Artaud, afin de soutenir l’idée que ces deux auteurs font l’usage des expressions d’un langage expérimental, défragmenté, multiforme, hybride, qui mélange les signes de différents langages de façon insolite ; les dictions littéraires de ce que, d’après les idées de Gilles Deleuze et Félix Guattari, je nomme le Schizolangage. La thèse est divisée en quatre parties, dont la prétention est de fonctionner par la logique du plateau – « une région continue d'intensités, vibrant sur elle-même, et qui se développe en évitant toute orientation sur un point culminant ou vers une fin extérieure » (BATESON apud DELEUZE ; GUATTARI, 1980, p. 32). Quoique ça sonne un peu paradoxal, puisqu’une thèse prétend créer un discours, à défaut d’être inédit, originel sur un objet d’étude, ce qui engendre quelques conclusions, cette recherche ne prétend pas établir une théorie enfermée sur l’œuvre d’Artaud et de Lispector, mais vérifier les zones de convergence et de connexion entre les productions littéraires de ces deux auteurs, en cherchant tracer le contour de l’esthétique du discours artistique-littéraire dans les textes analysés. Dans le premier plateau on suivre la promenade su schizophrène à travers de la machine capitaliste, en cherchant réfléchir sur les confluences entre la notion de schizophrénie, qui guide cette recherche, et le territoire du langage, où le sujet schizo est territorialisé. Le deuxième plateau est l’espace des intensités de Clarice Lispector, où l’on reconstitue le parcours du langage chez l’écrivaine jusqu’à la procédure déchirante d’écriture de Água viva (1973). La discussion sur l’(in)efficacité de la langue humaine et sa fuite vers la peinture, la musique, le langage du corps, le silence, etc., sont associées à quelques tableaux peints par Lispector, dans le but de percevoir un projet esthétique-littéraire chez l’auteure. Le troisième plateau présente l’écriture d’Antonin Artaud et la maturation de la conception du Théâtre de la Cruauté, en plus de réfléchir sur les divers signes évoqués dans sa pictographie (DERRIDA, 1998). Les œuvres que l’on met en relief pour ces discussions sont Les sorts (1937-1939), Artaud le mômo (1947), Suppôts et suppliciations (1947) et 50 dessins pour assassiner la magie (1948) – ces textes ont fait partie de mes recherches dans le cadre du stage doctoral PDSE à l’Université Paris X (Nanterre, La Défense, France), qui a eu lieu de septembre 2014 à mai 2015. À partir de la Schizoanalyse (DELEUZE; GUATTARI, 1995, 2010), le quatrième plateau s’approche d’un genre de construction littéraire qui utilise un langage multi-facettes, hybride, excentrique, insolite, etc., et, parfois, qui rompt le système de la langue – le Schizolangage –, en cherchant dans les textes d’Artaud et de Lispector quelques aspects de cette procédure schizo de création. Néanmoins, comme l’indique le titre de la thèse, je n’atteins que des aperçus et des échos de cette expression du langage. Par conséquent, la pensée développée au sein de cette thèse porte sur la territorialisation de quelques particularités schizos aperçues chez ces auteurs, notamment dans les textes analysés.
Clarice Lispector;Antonin Artaud;Schizolangage
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

LITERATURA COMPARADA
REPRESENTAÇÕES E TEXTUALIDADES
CONTRIBUIÇÕES PARA A HISTÓRIA DA DRAMATURGIA E DO TEATRO LONDRINENSES

Banca Examinadora

SONIA APARECIDA VIDO PASCOLATI
DOCENTE - COLABORADOR
Sim
Nome Categoria
LUIZ CARLOS MIGLIOZZI FERREIRA DE MELLO Docente - PERMANENTE

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 30

Vínculo

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Não