Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
LETRAS (23002018004P7)
Topografias e cronografias urbanas: o discurso da cidade às páginas do Caderno3
EMIAS OLIVEIRA DA COSTA
DISSERTAÇÃO
26/03/2015

O objetivo desta pesquisa é descrever, interpretar e analisar enunciados do Caderno3, caderno de cultura que circula em Fortaleza, com o intuito de pôr à mostra os sentidos da cidade que nele se elaboram, bem como as relações interdiscursivas que ele mantém com os sentidos do espaço urbano elaborados pelo discurso da sociologia urbana, da geografia urbana e do projeto iluminista. A justificativa por determo-nos num caderno de cultura e por observarmos especificamente os sentidos da cidade está no fato de que esse tema – a cidade – é cada vez mais recorrente em textos de movimentos estéticos, de políticas culturais e de cadernos de cultura. Há uma confluência dos textos da cultura na direção da cidade, o que permite que se fale em algo que poderíamos chamar de discurso da cultura ou discurso da cidade, já que elabora sentidos para esta; esse discurso da cultura, no entanto, não está sozinho na tarefa de desdobrar a questão da cidade e de produzir sentidos para o espaço urbano, o que justifica o enfoque nas relações interdiscursivas entre o discurso da cultura e outros discursos, especificamente o da sociologia urbana, da geografia urbana e do projeto de modernidade iluminista. Inserimos esta pesquisa nos estudos da Análise do Discurso de linha francesa. O método utilizado é descritivo-interpretativo. Quanto aos conceitos e referenciais teóricos, utilizamos a noção de formação discursiva enquanto unidade não-tópica proposta por Maingueneau (2006, 2011), a fim de delimitar um discurso da cultura composto por textos e enunciados dispersos, dentre os quais aqueles situados às páginas do Caderno3; para interpretarmos os sentidos da cidade elaborados por enunciados da sociologia urbana, da geografia urbana e do projeto iluminista, foi preciso abordá-los não enquanto saberes verdadeiros ou falsos, mas enquanto formações discursivas submetidas a um sistema de regulação e um sentido global, conceitos provenientes de Maingueneau (1983, 2008); a abordagem dos sentidos globais dessas formações discursivas vale-se das noções de topografia e cronografia discursiva, noções integrantes daquilo que Maingueneau (1993, 2006) chama de cenografia discursiva; a relação de interdiscursividade que construímos entre as topografias e cronografias elaboradas pelas quatro formações discursivas observadas encontra seu fundamento teórico-metodológico no primado do interdiscurso defendido por Maingueneau (2008). A problemática da pesquisa assenta-se sobre a indagação acerca de quais elementos estão associados aos sentidos da cidade construídos pelo discurso da cultura. Diante de tal problemática, identificaram-se três elementos recorrentes na elaboração desses sentidos: o território, o estrangeiro e o progresso; o território, que está no cerne do modo como o discurso da geografia urbana significa a cidade, aparece, no Caderno3, inserido na problemática de uma arte urbana que se imiscui no espaço disputável da cidade. O estrangeiro, que no discurso da sociologia urbana é gerador de uma atmosfera urbana do medo, emerge, no Caderno3, como algo que a cidade deseja para si. E o progresso, a partir do qual o projeto iluminista concebe o tempo da cidade e sua produtividade industrial, é a condição necessária para que o Caderno3 possa olhar o passado da cidade pelo viés do ridículo.

Cidade. Discurso. Topografia. Cronografia. Caderno3.
This research aims to describe, interpret and analyse enunciation on the Caderno3 newspaper, a culture supplement circulating in Fortaleza, in order to put on display the meanings of the city elaborated in it. As well as the interdiscousive relations it keeps with Urban space elaborated by the discourse on Urban Sociology, Urban Geography and the Enlighttenment Project. The reason why we deal with a culture supplement and specifically on the meanings of the city is that this topic – the city – is recurrent in texts about aesthetic movements, cultural politics and culture supplemeent. There is a confluence on the culture texts’ through the city what allows us to talk about something called culture’s discourse or the city discourse since it creates meanings for it. This culture’s discourse, however it is not alone on the task to unfold the city matter, namely, produce meanings to the urban space, what would justify the approach on interdiscoursive relations among the discourse of culture and other speeches, specifically the urban sociology, urban geography and the project of modernity enlightenment. We have entered this research in the French studies on Discourse Analysis. The method used is descriptive-interpretative. In relation to the concepts and theoretical frameworks, we use the concept of discursive formation as a non-topical unit proposed by Maingueneau (2006, 2011) in order to delimit a discourse of culture composed of texts and set out dispersed, among those located at the pages of the Caderno3. For interpreting the meanings of the city produced by urban sociology’s enununciation, urban geography and the Enlightenment's project, it was necessary to deal with them not as a true or false knowledge, but as discursive formation submited to a system of regulation and a global sense, a Maingueneau’s concept (1983,2008). The approach of global meaning of these discursive formations uses the notions of topography and discursive chronography notions, what Maingueneau calls discursive scenography. The relations of interdiscursivity that we built up between the topographies and chronographies prepared by four discursive formations observed find its theoretical-methodological foundation primarily in the interdiscourse defended by Maingueneau (2008). The research problem is based on the inquiry about what elements are associated to the meanings of the city built by the culture’s discourse. Faced with this problem, we identified three elements recurring in the preparation of these meanings: the territory, the stranger and the progress; the territory which is at the heart of the way in which the urban geography discourse defines the city on the Caderno3, inserted in the problems of an urban art that it would impinge on the contested space of the city. The stranger, that in urban sociology discourse is generator of an urban atmosphere of fear, emerges in the Caderno3, as something that the city wants for itself. And the progress, from which the Enlightenment's project designs for the time of the city and its industrial productivity, is the necessary condition so that the Caderno3 may look at the past of the city by bias of ridicule.
City. Discourse. Topography. Chronography. Caderno3
Único
150
PORTUGUES
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
O trabalho possui divulgação autorizada

Contexto

ESTUDOS DO DISCURSO E DO TEXTO
DISCURSO, MEMORIA E IDENTIDADE
Análise discursiva da mídia

Banca Examinadora

IVANALDO OLIVEIRA DOS SANTOS FILHO
Sim
Nome Categoria
MARIA DO SOCORRO MAIA FERNANDES BARBOSA Docente
ANA MARIA PEREIRA LIMA Participante Externo

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim