Brasil

Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE
GEOGRAFIA (42004012015P5)
IDENTIDADE, CULTURA E TRABALHO NA COMUNIDADE DE MAÇAMBIQUE – CANGUÇU/RS.
SOLANGE DE OLIVEIRA
DISSERTAÇÃO
30/08/2013

Este trabalho tem como propósito revelar a identidade, cultura e territorialidade da comunidade de remanescentes de quilombos de Maçambique, através do processo de trabalho, focado no cultivo do feijão. Entende-se que essa prática os caracteriza enquanto plantadores de feijão, pois nela se manifestam as formas peculiares de cultivo. A comunidade se localiza no terceiro distrito de Canguçu/RS, fronteira com o município de Encruzilhada do Sul, e distribuem-se por entre as localidades de Santo Antônio, Rincão do Progresso e Vau dos Prestes, ocupando uma extensão de aproximadamente 12 km em um território descontínuo. O grupo vem se autodeclarando quilombola desde 2004 e obteve a certificação pela Fundação Cultural Palmares em 2009. Hoje possui 71 famílias associadas e atualmente, buscam a regularização fundiária do território onde vivem há pelo menos um século. O primeiro capítulo faz a abordagem teórica trazendo os conceitos de cultura, identidade, território, trabalho e comunidade, juntamente inseridos na perspectiva da Geografia Cultural, que também permitiu um estreitamento da pesquisa com a Etnografia e Antropologia. No segundo capítulo, o trabalho apresenta o marco metodológico onde traz a questão sobre remanescente de quilombos e seu reconhecimento como categoria jurídica. Após uma breve apresentação da comunidade enquanto objeto de investigação, além do objetivo e justificativa, finalizando com a técnica de pesquisa apoiada na história Oral. A pesquisa se utilizou de entrevistas abertas dos moradores de Maçambique, divididos em faixas etárias. Em parte foram ouvidos os “anciões” da comunidade e também homens que trabalham no cultivo de feijão, numa faixa etária de 30 a 50 anos. Como a pesquisa foca no processo de trabalho do grupo, como plantadores de feijão, o terceiro capítulo traz uma abordagem sobre a terra que a comunidade utiliza, pois esta é entendida como sustentáculo das famílias neste local. Expõem-se alguns casos de aquisição de pequenos lotes de terra pelos negros, além de algumas ocorrências de expropriação que aconteceram no passado. Também se aborda as relações, historicamente instauradas no local, onde os moradores ainda trabalham sob a dependência de pessoas que lhe sedem a terra para o trabalho em um regime chamado por eles de “parceria” ou “sócio”. No último capítulo, descreve-se todo o processo de cultivo do feijão de maneira rústica, que vai do preparo das áreas à comercialização do produto. Faz-se uma descrição das ferramentas utilizadas por eles, dos tipos de feijão produzidos, e, as histórias dos mais “velhos” que expõem seus saberes tradicionais e simbólicos vinculados ao feijão. Ao final, a pesquisa traz algumas reflexões acerca do labor desses afrodescendentes, que ainda trabalham de forma rústica, utilizando os saberes que foram passados por seus ancestrais e ao mesmo tempo se inserem dentro de uma lógica capitalista.

Cultura, Identidade, Territorialidade, Remanescentes de quilombos, Cultivo do feijão.
Este trabalho tem como propósito revelar a identidade, cultura e territorialidade da comunidade de remanescentes de quilombos de Maçambique, através do processo de trabalho, focado no cultivo do feijão. Entende-se que essa prática os caracteriza enquanto plantadores de feijão, pois nela se manifestam as formas peculiares de cultivo. A comunidade se localiza no terceiro distrito de Canguçu/RS, fronteira com o município de Encruzilhada do Sul, e distribuem-se por entre as localidades de Santo Antônio, Rincão do Progresso e Vau dos Prestes, ocupando uma extensão de aproximadamente 12 km em um território descontínuo. O grupo vem se autodeclarando quilombola desde 2004 e obteve a certificação pela Fundação Cultural Palmares em 2009. Hoje possui 71 famílias associadas e atualmente, buscam a regularização fundiária do território onde vivem há pelo menos um século. O primeiro capítulo faz a abordagem teórica trazendo os conceitos de cultura, identidade, território, trabalho e comunidade, juntamente inseridos na perspectiva da Geografia Cultural, que também permitiu um estreitamento da pesquisa com a Etnografia e Antropologia. No segundo capítulo, o trabalho apresenta o marco metodológico onde traz a questão sobre remanescente de quilombos e seu reconhecimento como categoria jurídica. Após uma breve apresentação da comunidade enquanto objeto de investigação, além do objetivo e justificativa, finalizando com a técnica de pesquisa apoiada na história Oral. A pesquisa se utilizou de entrevistas abertas dos moradores de Maçambique, divididos em faixas etárias. Em parte foram ouvidos os “anciões” da comunidade e também homens que trabalham no cultivo de feijão, numa faixa etária de 30 a 50 anos. Como a pesquisa foca no processo de trabalho do grupo, como plantadores de feijão, o terceiro capítulo traz uma abordagem sobre a terra que a comunidade utiliza, pois esta é entendida como sustentáculo das famílias neste local. Expõem-se alguns casos de aquisição de pequenos lotes de terra pelos negros, além de algumas ocorrências de expropriação que aconteceram no passado. Também se aborda as relações, historicamente instauradas no local, onde os moradores ainda trabalham sob a dependência de pessoas que lhe sedem a terra para o trabalho em um regime chamado por eles de “parceria” ou “sócio”. No último capítulo, descreve-se todo o processo de cultivo do feijão de maneira rústica, que vai do preparo das áreas à comercialização do produto. Faz-se uma descrição das ferramentas utilizadas por eles, dos tipos de feijão produzidos, e, as histórias dos mais “velhos” que expõem seus saberes tradicionais e simbólicos vinculados ao feijão. Ao final, a pesquisa traz algumas reflexões acerca do labor desses afrodescendentes, que ainda trabalham de forma rústica, utilizando os saberes que foram passados por seus ancestrais e ao mesmo tempo se inserem dentro de uma lógica capitalista.
Cultura, Identidade, Territorialidade, Remanescentes de quilombos, Cultivo do feijão.
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE

Contexto

GEOGRAFIA DA ZONA COSTEIRA E PROCESSOS RELACIONADOS
ANÁLISE URBANO REGIONAL
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Banca Examinadora

DARIO DE ARAUJO LIMA
Sim
Nome Categoria
CARMEM GESSILDA BURGERTI SCHIAVON Participante Externo
ROSANE APARECIDA RUBERT Participante Externo
CARMO THUM Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - CAPES/FAPERGS 8

Vínculo

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Não