Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
CLÍNICA CIRÚRGICA VETERINÁRIA (33002010155P3)
Estudo morfológico da cartilagem e osso subcondral dos côndilos e crista sagital do osso terceiro metacarpiano de equinos Puro-sangue-inglês através de análise de imagem
MARILIA FERRARI MARSIGLIA
DISSERTAÇÃO
04/12/2019

As afecções articulares têm papel preponderante frente às claudicações nos equinos atletas, sendo a articulação metacarpofalangeana (MCF) uma das mais frequentemente afetadas. Isso se deve à sua configuração anatômica e maior amplitude de movimentos, apresentando hiperextensão durante a fase de apoio dos membros ao solo. As articulações apresentam variações na densidade e espessura do osso subcondral e cartilagem ao longo de sua superfície e, consequentemente, variações nas propriedades mecânicas e estruturais. Métodos de imagem, como a radiografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada, têm sido empregados e correlacionados com a finalidade de delinear essas variações, além de diagnosticar afecções que acometem o sistema articular de equinos. O objetivo desse projeto foi avaliar o tecido osteocondral da articulação MCF de peças anatômicas de equinos da raça Puro-sangue-inglês de corrida, que estavam em treinamento, através de análise de imagem. Foram utilizados oito pares de membros torácicos de equinos em constante e semelhante padrão de treinamento esportivo, com idade entre dois e cinco anos, os quais foram a óbito por motivos não relacionados à articulação MCF. Os membros foram armazenados congelados e, após descongelamento, submetidos a avaliação macroscópica, exames radiográficos e ultrassonográficos, e avaliação microscópica, como microtomografia e histologia. Na análise macroscópica e durante as biopsias ósseas, observou-se que 37,5% dos animais apresentaram côndilos mediais ressecados e rígidos e 12,5% apresentaram crista sagital de alta porosidade. Macroscopicamente 37,5% dos animais apresentaram erosão parcial menor que cinco mm de diâmetro em superfície articular e outros 37,5% não apresentaram nada digno de nota. Foi possível notar que houve correlação direta entre o exame macroscópico e os exame radiográfico e ultrassonográfico (p=0,54 e p=0,53 respectivamente). No exame radiográfico, apenas 25% dos animais receberam o escore mínimo de zero para o MTE e 12,5% para o MTD. Quando comparados os valores de Densidade Óptica Radiográfica (DOR) avaliado por escala de mmAl e Densidade Mineral Óssea avaliado por micro-TC, a crista sagital foi o valor mais baixo em 75% dos animais. Quando confrontados os valores entre os membros direito e esquerdo, para 100% dos animais os valores do MTD foi maior que o MTE na micro-TC, já na escala DOR, apenas 62,5% desses valores concordaram com essa afirmação. Comparando-se com os outros exames, em questão de sensibilidade de características, nota-se que o exame ultrassonográfico é o que mais se relaciona com o histológico (p=0,288). No exame ultrassonográfico, 62,5% dos animais apresentaram irregularidades nos ligamentos periarticulares, 37,5% apresentaram superfície lisa em relação ao osso subcondral e 50 % não apresentaram alteração na superfície articular. Foi possível observar a ocorrência de lesões em superfície articular que se distribuem de maneira bastante semelhante e, embora haja alguma variação, não houve diferença estatística entre os escores dos animais. Os escores foram mais homogêneos na macroscopia e no ultrassom. Os exames que mais diferiram entre os avaliadores foi o de exame macroscópico e radiográfico. Segundo os parâmetros avaliados nesse projeto, concluiu-se que não houve diferença estatística quanto ao local de coleta da amostra no osso metacarpiano e pouca variação entre um membro e outro. Todos os equinos avaliados nesse projeto apresentaram algum comprometimento de superfície articular de terceiro metacarpiano, mas mesmo assim foi possível determinar características morfológicas utilizando técnicas de imagem descritas acima.

Equinos PSI de corrida.;Articulação metacarpofalangeana;Microtomografia;Ultrassonografia;Tecido osteocondral
Joint diseases in horses have a predominant role in lameness, being the metacarpophalangeal (MCP) joint one of the most frequently affected. MCP joint has the highest number of site-specific traumatic and degenerative lesions when compared to other joints. This is due to its anatomical configuration and, among all of the locomotor system of horses, it is the one with the greatest range of motion, presenting hyperextension during the support phase of the limbs. All joints show a variation in the density and thickness of the subchondral bone along its surface and, consequently, variation in the mechanical properties at each site. Many imaging methods have been employed and correlated in order to delineate this difference and diagnose the diseases affecting the joints of the horses. The objective of this project was to evaluate the osteochondral tissue of the MCP joints of anatomical parts of Thoroughbred racehorses, through methods of macroscopic imaging such as radiography and ultrasonography, and microscopes such as optical microscopy and micro tomography, searching for the identification and characterization of these tissues. Eight pairs of forelimbs were used, collected from horses with constant and similar training programme, aged between 3 and 6 years old, who died for reasons not related to the MCP joints. Each method were analyzed individually, characterizing the patterns and morphology of cartilage and subchondral bone. In the macroscopic analysis and during bone biopsies, 37.5% of the animals presented dry and rigid medial condyles and 12.5% presented high porosity sagittal ridge. Macroscopically 37.5% of the animals showed partial erosion of less than five mm in diameter on the articular surface and another 37.5% did not show any particularity. It was possible to notice that there was a direct correlation between the macroscopic exam and the radiographic and ultrasound exams (p = 0.54 and p = 0.53 respectively). In the radiographic exam, only 25% of the animals received score zero for the left forelimb and 12.5% for the right. When comparing the Radiographic Optical Density (ROD) values evaluated by mmAl scale and Bone Mineral Density evaluated by micro-CT, the sagittal ridge was the lowest value in 75% of the horses. When comparing the values between the right and left limbs, for 100% of the animals the right values were higher than the left on the micro-CT, whereas in the ROD, only 62.5% of these values agreed with this statement. Comparing with the other exams, in terms of sensitivity of characteristics, it was noticed that the ultrasound exam is the most related to the histological (p = 0.288). At ultrasound examination, 62.5% of the animals presented irregularities in the periarticular ligaments, 37.5% presented smooth surface in relation to the subchondral bone and 50% showed no alteration. It was possible to observe the occurrence of lesions on the articular surface that are distributed in a very similar way and, although there is some variation, there was no statistical difference between the animal scores. The scores were more homogeneous on macroscopic and ultrasound. The exams that differed most among the evaluators were macroscopic and radiographic exams. According to the parameters evaluated in this project, it was concluded that there was no statistical difference regarding the sample collection site in the metacarpal bone and little variation between one limb and another. All horses evaluated in this project had some third metacarpal joint surface compromise, but it was still possible to determine morphological characteristics using imaging techniques described above.
Thoroughbred racehorses;Metacarpophalangeal joint;Microtomography;Ultrasound;Osteochondral tissue
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
O trabalho possui divulgação autorizada

Contexto

CLÍNICA CIRÚRGICA VETERINÁRIA
CIRURGIA CLÍNICA E EXPERIMENTAL
ESTUDO MORFOLÓGICO DE CARTILAGEM E OSSO SUBCONDRAL DE CÔNDILOS E CRISTA SAGITAL DE OSSO TERCEIRO METACARPIANO DE EQUINOS ATRAVÉS DE ANÁLISE DE IMAGEM

Banca Examinadora

LUIS CLAUDIO LOPES CORREIA DA SILVA
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
LUIS CLAUDIO LOPES CORREIA DA SILVA Docente - PERMANENTE
ANA LUCIA MILUZZI YAMADA Pós-Doc
THIAGO LUIZ DE SALLES GOMES Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 21

Vínculo

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Não