Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
SAÚDE E PRODUÇÃO ANIMAL NA AMAZÔNIA (15002012006P7)
MORFOLOGIA DA CAVIDADE OROFARÍNGEA E GLÂNDULA DE CHEIRO DO MUÇUÃ (Kinosternon scorpioides scorpioides Linnaeus, 1766) DE VIDA LIVRE
ANDREA MAGALHAES BEZERRA
TESE
17/07/2019

O muçuã, como é conhecido o Kinosternon scorpioides scorpioides, é o único representante da família Kinosternidae no Brasil. É um quelônio com tamanho médio de 15 cm de comprimento da carapaça quando adulto. De hábito semiaquático, sua dieta em vida livre inclui uma ampla variedade de alimentos de origem vegetal e animal, sendo considerado onívoro ou generalista oportunista. Entretanto, para resistir à seca do verão, quando as condições climáticas e alimentares são desfavoráveis, o muçuã permanece enterrado sob o solo, em estado de baixo metabolismo e consumindo reservas energéticas, num mecanismo conhecido como estivação. Outra peculiaridade do muçuã é secretar uma substância que exala um odor forte e característico, produzida por glândulas de cheiro, que tem por finalidade repelir predadores, mas também pode ser usado como atrativo sexual. Apesar do mau cheiro que exala, a espécie é apreciada como iguaria na culinária da região norte do Brasil, onde a exploração desordenada tem causado declínio substancial nas populações naturais. O presente estudo objetivou descrever os aspectos morfológicos da cavidade orofaríngea e da glândula de cheiro do muçuã. Os animais foram coletados em áreas de ocorrência natural, na Mesorregião do Marajó no estado do Pará/Brasil. A microscopia de luz revelou que quase todo o epitélio de revestimento da cavidade orofaríngea é do tipo estratificado mucoso não queratinizado, contendo muitas células mucosas e numerosas glândulas de muco epiteliais ao longo de toda língua, palato e assoalho da cavidade oral, com exceção da região próxima a ranfoteca, que é constituída por tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado contendo diversos botões gustativos. Não foi observada a presença de glândulas salivares. Em microscopia eletrônica de varredura verificou-se que todo o epitélio da cavidade orofaríngea apresentou poros, sulcos, micro vilosidades e micro cristas. Foram encontradas em todos os espécimes analisados, independente de sexo, quatro glândulas de cheiro, sendo dois pares axilares e dois inguinais, estruturalmente semelhantes entre si. Cada glândula consistiu em um lóbulo único secretor holócrino com secreção contendo células formadas por dois tipos de vacúolos secretórios. Os do tipo 1 coravam de vermelho, eram os de maior tamanho e os mais frequentes, além de serem positivos para o Ácido Periódico de Schiff (PAS), sugerindo serem um complexo glicoproteico e os do tipo 2, translúcidos, de menor tamanho e menor número e negativos para o PAS. A secreção produzida era conduzida por um ducto único através de canal ósseo existente na ponte que liga a carapaça ao plastrão e excretada por um poro exterior localizado no respectivo escudo que dá nome a glândula. Por ser uma espécie semiaquática, a presença de botões gustativos na região próxima a ranfoteca e a ausência de glândulas salivares corroboram com o que é conhecido sobre o comportamento alimentar para espécie, que apreende o alimento utilizando a mandíbula, para percepção de sabores, e o arrasta para dentro da água, para facilitar a deglutição. Em animais de vida livre, a ausência de água durante o período de estiagem dificulta a ingestão dos alimentos, e esse deve ser um dos motivos pelo qual a espécie passa pelo processo de estivação, utilizando somente suas reservas energéticas. Ressalta-se que para facilitar o manejo em cativeiro, a espécie deve ter seu alimento oferecido dentro ou próximo a lâmina d’água. Os odores produzidos pelas glândulas de cheiro devem influenciar o comportamento de machos e fêmeas em vários aspectos e merecem atenção, principalmente em animais mantidos em cativeiro. Deve-se levar em consideração a densidade e a razão sexual, principalmente durante o período reprodutivo, para que não haja interações agonísticas. Embora a abertura para criação em cativeiro proporcionada pela legislação seja extremamente importante, é necessário o desenvolvimento de pesquisas que preencham as lacunas do conhecimento sobre a espécie e que viabilizem sua criação para produção.

Botão gustativo;Glândula de almíscar;Glândula de muco;Ilha de Marajó;Ki.nosternidae;micro crista;micro vilosidade;tartaruga da lama.
The muçuã, as the Kinosternon scorpioides scorpioides is known, is the only representative of the Kinosternidae family in Brazil. It is a chelonium with a 15 cm long carapace length as an adult. Semiaquatic habit, his diet in free life includes a wide variety of food of plant and animal origin, being considered omnivorous or generalist opportunist. However, to withstand summer drought, when climatic and food conditions are unfavorable, the muçuã remains buried beneath the soil, in a state of low metabolism and consuming energy reserves, in a mechanism known as “estivação”. Another peculiarity of the muçuã is to secrete a substance that exudes a strong and characteristic odor produced by scent glands, which is intended to repel predators, but can also be used as a sexual attraction. In spite of the bad smell that exudes, the species is appreciated as a delicacy in the cuisine of the northern region of Brazil, where the disorderly exploitation has caused substantial decline in natural populations. The present study aimed to describe the morphological aspects of the oropharyngeal cavity and the scent gland of muçuã. The animals were collected in naturally occurring areas, in the Marajó Meso-region in the state of Pará/Brazil. Light microscopy revealed that almost all of the lining epithelium of the oropharyngeal cavity is of the nonkeratinized mucosal stratified type, containing many mucosal cells and numerous epithelial mucus glands throughout the tongue, palate and floor of the oral cavity, except for the region next to the ranfoteca, which is constituted by stratified keratinized squamous epithelial tissue containing several gustatory buds. Scanning electron microscopy showed that all the epithelium of the oropharyngeal cavity presented pores, grooves, microvilli and microrigde. In all specimens analyzed, regardless of sex, four scent glands were found, two axillary pairs and two inguinal pairs, structurally similar to each other. Each gland consisted of a single lobe secretory holocrine secretion containing cells formed by two types of secretory vacuoles. Type 1 flushed red, were the largest and most frequent, and were positive for Schiff's Periodic Acid (PAS), suggesting to be a glycoprotein complex and type 2, translucent, smaller and smaller number and negatives for SBP. The secretion produced was carried by a single duct through a bony canal existing in the bridge that connects the carapace to the plastron and excreted by an outer pore located in the respective shield that gives name to the gland. Being a semi-aquatic species, the presence of taste buds in the region near the ramphoteca and the absence of salivary glands corroborate what is known about the feeding behavior for species, which seizes the food using the jaw, for flavor perception, and the drags into the water to facilitate swallowing. In free-living animals, the absence of water during the dry season makes food ingestion difficult, and this should be one of the reasons, why the species goes through the stowage process, using only its energy reserves. It is emphasized that to facilitate captive management, the species must have its food offered in or near the water slide. The odors produced by the smell glands should influence the behavior of males and females in many ways and deserve attention, especially in captive animals. Density and sex ratio should be taken into account, especially during the reproductive period, so that there are no agonistic interactions. Although the openness to captive breeding provided by legislation is extremely important, it is necessary to develop research that fills the gaps of knowledge about the species and that makes possible its creation for production.
Taste bud;Scent gland;Mucous gland;Marajó Island;Kinosternidae;Microridges;Microvilli;mud turtle.
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
O trabalho possui divulgação autorizada

Contexto

SAÚDE E MEIO AMBIENTE
RELAÇÃO SAÚDE E MEIO AMBIENTE NA AMAZÔNIA
ANATOMIA MACRO E MICROSCOPIA DE ANIMAIS DOMÉSTICOS E SILVESTRES DA REGIÃO AMAZÔNICA

Banca Examinadora

ANA RITA DE LIMA
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
ANA RITA DE LIMA Docente - PERMANENTE
VERONICA REGINA LOBATO DE OLIVEIRA BAHIA Participante Externo
JOSE LEDAMIR SINDEAUX NETO Participante Externo
ANA SILVIA SARDINHA RIBEIRO Participante Externo
DIVA ANELIE DE ARAUJO GUIMARAES Participante Externo
ERIKA RENATA BRANCO Docente - PERMANENTE

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim