Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
GEOGRAFIA (33003017080P0)
ESPACIALIZAÇÃO E GEOCRONOLOGIA DAS COBERTURAS SUPERFICIAIS EM TERRAÇOS MARINHOS, FLUVOMARINHOS E FLUVIAIS NA FOZ DAS BACIAS DOS RIOS ITAPOCU E ARARANGUÁ (SC), DECORRENTES DOS EPISÓDIOS DE TRANSGRESSÕES E REGRESSÕES MARINHAS ASSOCIADAS ÀS OSCILAÇÕES / PULSAÇÕES CLIMÁTICAS
FELIPE GOMES RUBIRA
TESE
07/06/2019

Esta pesquisa objetiva identificar, espacializar e compartimentar morfologicamente níveis de terraços marinhos holocênicos e pleistocênicos, terraços de planície de maré holocênicos, fluviomarinhos e fluviais holocênicos, dissecados pela dinâmica fluvial dos baixos cursos dos rios Araranguá e Itapocu. Simultaneamente, objetiva correlacioná-los, mediante geocronologia dos eventos deposicionais associados às coberturas superficiais que os sustentam/recobrem, a episódios marinhos transgressivos e regressivos identificados pela literatura paleoclimática nacional e internacional, vinculados às mudanças/oscilações climáticas pleistocênicas e pulsações climáticas holocênicas (gênese), compreendendo a dinâmica da formação e transformação da paisagem costeira mediante estabelecimento de cenário regional geocronológico pautado em fases evolutivas. A metodologia proposta visou recompor lapsos temporais e genéticos referentes à evolução e deposição das coberturas superficiais que originaram os terraços, com base na elaboração de modelos digitais de elevação, perfis topográficos, realização de trabalhos de campo, comparações estratigráficas, análises granulométricas e datações realizadas por luminescência opticamente estimulada (LOE) por meio dos procedimentos indicados pelo protocolo SAR (Single Aliquot Regenerative-dose) em 15 alíquotas. Na planície costeira do rio Araranguá foram identificados dois níveis de terraços marinhos pleistocênicos (NI e NII → >75.000 anos A.P.); dois níveis de terraços marinhos holocênicos (NIII → 6.000 ± 820 / 5.000 ± 620 / 420 ± 65 anos A.P.) / (NIV → 180 ± 25 / 165 ± 35 anos A.P.); um nível de terraço lagunar holocênico recoberto por depósitos eólicos (3.450 ± 440 anos A.P.); um nível de terraço fluvial holocênico (2.250 ± 300 anos A.P.); terraços fluviomarinhos holocênicos (6.000 ± 820 / 5.000 ± 620 / 2.700 ± 420 / 950 ± 130 / 180 ± 25 anos A.P.). Os resultados geocronológicos dos eventos deposicionais vinculados às coberturas superficiais destes terraços evidenciaram que a dinâmica evolutiva do litoral sul catarinense (Araranguá) se caracterizou pelo desenvolvimento de sistema Laguna-Barreira III (Pleistocênico) e Laguna-Barreira IV (Holocênico), os quais estariam vinculados a proposta evolutiva de Villwock (1984) para cordões litorâneos sul rio grandenses. Também evidenciaram que a planície costeira do sul de Santa Catarina (Araranguá) é composta por diferentes gerações de atividades eólicas, responsáveis por soterrar materiais marinhos do nível I (35.250 ± 4.400 / 32.000 ± 3.600 / 16.500 ± 2.050 / 10.700 ± 1.260 / 9.800 ± 1.230 anos A.P.), desenvolvendo espessa duna fóssil pedogenizada; remobilizar materiais marinhos do terraço de nível II (14.300 ± 1.400 / 12.800 ± 1.500 anos A.P.), que se encontram interdigitados; recobrir materiais marinhos do nível III mediante desenvolvimento de delgada camada estratigráfica eólica superficial; desenvolver dunas frontais em setores do terraço marinho de nível IV. Na planície costeira do rio Itapocu foram identificados dois níveis de terraços de planície de maré holocênicos (NI e NII → 4.000 ± 620 / 3.820 ± 520 / 3.000 ± 470 / 3.050 ± 380 / 2.900 ± 320 anos A.P.); um nível de terraço marinho pleistocênico (NI → >49.700 ± 9.750 anos A.P.); dois níveis de terraços marinhos holocênicos (NII → 1.220 ± 110 anos A.P.) / (NIII→ 880 ± 110 / 250 ± 70 / <100 anos A.P.); dois níveis de terraços fluviais holocênicos (NI e NII → 2.950 ± 300 / 1.200 ± 110 anos A.P.). Os resultados geocronológicos dos eventos deposicionais vinculados às coberturas superficiais destes terraços evidenciaram que a dinâmica evolutiva do litoral norte catarinense (Itapocu) caracterizou-se pela expansão do atual complexo sistema estuarino da baía de Babitonga ao longo de regressão marinha que sucedeu pico transgressivo holocênico santista, propiciando formação de ambientes de planície de maré em condições paleoestuarinas desenvolvidas em grande parte da planície costeira, inibindo a formação de sistemas do tipo Laguna-Barreira observados em Araranguá. Por meio das datações foi possível definir 13 fases evolutivas para planície costeira da bacia hidrográfica do rio Araranguá e 11 para Itapocu, as quais foram determinadas a luz das transgressões e regressões marinhas suscitadas por mudanças/oscilações/pulsações climáticas quaternárias. Conclui-se que, embora a dinâmica evolutiva dos sistemas ambientais do litoral sul e norte de Santa Catarina sejam totalmente divergentes, os terraços, constituem-se, independentemente das características e intensidades processuais pelas quais foram desenvolvidos, como registros geomorfológicos da ocorrência das mudanças, oscilações e pulsações climáticas. Do mesmo modo, conclui-se que ciclos de alternâncias climáticas exibiram estreita relação com a dinâmica responsável pela produção de sedimento, remobilização e deposição nos ambientes costeiros de Santa Catarina.

Mudanças/Oscilações/Pulsações Climáticas;Movimentos Glacioeustáticos, Eventos Deposicionais;Coberturas Superficiais;Superfícies geomorfológicas
This research aims to identify, spatialize and compartmentalize morphologically levels of Holocene and Pleistocene marine terraces, Holocene tidal plain terraces, Holocene fluvial-marine and fluvial terraces, dissected by the fluvial dynamics of the lower courses of the Araranguá and Itapocu rivers. At the same time, it aims to correlate them with the geochronology of the depositional events associated with the surface coverings that sustain / cover them, to transgressive and regressive marine episodes identified by national and international paleoclimatic literature, linked to the Pleistocene climatic changes and oscillations and Holocene climatic pulsations (genesis), comprising the dynamics of the formation and transformation of the coastal landscape through the establishment of a regional geochronological scenario based on evolutionary phases. The proposed methodology aimed at recovering temporal and genetic lapses regarding the evolution and deposition of the surface coverings that originated the terraces, based on the elaboration of digital elevation models, topographic profiles, fieldwork, stratigraphic comparisons, granulometric analysis and optically stimulated luminescence (LOE) by the procedures indicated by the SAR protocol (Single Aliquot Regenerative-dose) in 15 aliquots. In the coastal plain of the Araranguá river, two levels of Pleistocene marine terraces were identified (NI and NII → >75.000 years B.P.); two levels of Holocene marine terraces (NIII → 6.000 ± 820 / 5.000 ± 620 / 420 ± 65 years B.P.) / (NIV → 180 ± 25 / 165 ± 35 years B.P.); a level of Holocene lagoon terrace covered by aeolian deposits (3.450 ± 440 years B.P.); a level of Holocene fluvial terrace (2.250 ± 300 years B.P.); Holocene fluvial-marine terraces (6.000 ± 820 / 5.000 ± 620 / 2.700 ± 420 / 950 ± 130 / 180 ± 25 years B.P.). The geochronological results of the depositional events linked to the surface coverings of these terraces showed that the evolutionary dynamics of the southern coast of Santa Catarina (Araranguá) was characterized by the development of barrier-lagoon III (Pleistocene) and barrier-lagoon IV (Holocene) systems, which would be linked to the evolutionary proposal of Villwock (1984) for the southern coastal strands of Rio Grande do Sul. They also showed that the coastal plain of southern Santa Catarina (Araranguá) is composed of different generations of aeolian activities, responsible for burial of level I marine materials (35.250 ± 4.400 / 32.000 ± 3.600 / 16.500 ± 2.050 / 10.700 ± 1.260 / 9.800 ± 1.230 years B.P.), developing a thick pedogenized fossil dune; remobilize marine materials from the level II terrace (14.300 ± 1.400 / 12.800 ± 1.500 years B.P.), which are interdigitated; cover level III marine materials by developing a thin layer of stratigraphic surface aeolian; develop frontal dunes in sectors of the IV level marine. In the coastal plain of the Itapocu river, two levels of Holocene tidal plain terraces were identified (NI and NII → 4.000 ± 620 / 3.820 ± 520 / 3.000 ± 470 / 3.050 ± 380 / 2.900 ± 320 years B.P.); a level of Pleistocene marine terrace (NI→ >49.700 ± 9.750 years B.P.); two levels of Holocene marine terraces (NII → 1.220 ± 110 years B.P.) / (NIII→ 880 ± 110 / 250 ± 70 / <100 years B.P.); two levels of Holocene fluvial terraces (NI and NII → 2.950 ± 300 / 1.200 ± 110 years B.P.). The geochronological results of the depositional events linked to the surface coverings of these terraces showed that the evolutionary dynamics of the northern coast of Itapocu (Itapocu) was characterized by the expansion of the present complex estuarine system of the Bay of Babitonga along marine regression that succeeded the Holocene transgressive peak of Santos, providing formation of tidal plain environments in paleoestuarine conditions developed in great part of the coastal plain, inhibiting the formation of barrier-lagoon type systems observed in Araranguá. Through the dates, it was possible to define 13 evolutionary phases for the coastal plain of the Araranguá river basin and 11 for Itapocu, by means of the dates it was possible to define 13 evolutionary phases for the coastal plain of the Araranguá river basin and 11 for Itapocu, which were determined in light of transgressions and marine regressions caused by quaternary climatic changes / oscillations / pulsations. It is concluded that, although the evolutionary dynamics of the environmental systems of the southern and northern coasts of Santa Catarina are totally divergent, terraces are, independently of the characteristics and procedural intensities by which they were developed, as geomorphological records of the occurrence of changes, oscillations and climatic pulsations. In the same way, it can be concluded that cycles of climatic alternations showed a close relationship with the dynamics responsible for sediment production, remobilization and deposition in the coastal environments of Santa Catarina.
Climate Change/Oscillation/Pulsation;Glacio-eustatic Movements, Depositional Events;Surface Coverings;Geomorphological Surfaces
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
O trabalho possui divulgação autorizada

Contexto

ANÁLISE AMBIENTAL E DINÂMICA TERRITORIAL
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA, ANÁLISE DOS COMPONENTES NATURAIS DA PAISAGEM E DAS TRANSFORMAÇÕES DECORRENTES DO USO E OCUPAÇÃO
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Banca Examinadora

ARCHIMEDES PEREZ FILHO
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
REGINA CELIA DE OLIVEIRA Docente - PERMANENTE
ANTONIO CARLOS DE BARROS CORREA Participante Externo
FERNANDO NADAL JUNQUEIRA VILLELA Participante Externo
Pedro Manuel Rodrigues Roque Proença Cunha Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUNDACAO DE AMPARO A PESQUISA DO ESTADO DE SAO PAULO - Bolsa de Doutorado 36

Vínculo

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Não