Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS (BIOLOGIA MOLECULAR) (33009015001P0)
Bromelina de Anannas Comosus (L.) Merr. (Abacaxi) ApresentaAtividade Antinociceptiva em Camundongos Modulando a Liberação e Absorção de Encefalina no Intestino
PAULO EDUARDO ORLANDI MATTOS
TESE
20/12/2018

A bromelina do caule [EC 3.4.22.32] é um complexo de tiol-endopeptidases usado na medicina tradicional devido as suas atividades anti-inflamatória e digestiva. Apesar de artigos demostrarem sua ação antinociceptiva, o mecanismo de ação ainda é pouco conhecido. Proencefalina (PENK), precursor endógeno de encefalinas, é um possível candidato a substrato de bromelina devido à presença de pares de resíduos de aminoácidos básicos que flanqueiam as sequências de encefalina. PENK é expressa não apenas no sistema nervoso central, mas também no trato gastrintestinal, sendo, assim, acessível à bromelina administrada por via oral. O objetivo deste trabalho foi avaliar se a hidrólise de proencefalina por bromelina do caule in vivo está associada à liberação de encefalina e se o efeito antinociceptivo de bromelina do caule é dependente de sua atividade proteolítica. Estudos realizados em camundongos da linhagem Swiss (testes de placa quente, de contorções abdominais induzidas por ácido acético e de formalina) confirmaram que a atividade antinociceptiva de bromelina do caule, quando administrada por via oral, é dependente da atividade proteolítica. A dose que produziu máxima analgesia foi de 3 mg/kg, no tempo de 3 h após administração, enquanto o grupo que recebeu dose de 300 mg/kg não mostrou qualquer resposta antinociceptiva (P>0,05, comparado ao grupo controle). Demonstramos, por ensaios in vitro, que bromelina do caule hidrolisa peptídeos derivados de PENK após os resíduos Arg-Agr, Lys-Arg e Lys-Lys, que flanqueiam as sequências da encefalina. Estudos subsequentes in vivo mostraram que a administração oral de bromelina em camundongos reduz os níveis de PENK no jejuno e aumenta os níveis séricos de encefalina. Estes efeitos não foram acompanhados por alteração na coagulação sanguínea, com base nos parâmetros tempo de protrombina (TP) e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA). Também não foi detectado bromelina no soro dos animais tratados. Em conjunto, estes achados sugerem que a hidrólise de PENK no trato gastrintestinal e a consequente liberação de encefalina contribuem para o efeito antinociceptivo de bromelina do caule administrada por via oral. Além disso, os dados reforçam o potencial uso de bromelina como um fitoterápico analgésico. .

1.bromelinas/farmacologia;2.cisteína endopeptidases;3.analgésicos
Stem bromelain [EC 3.4.22.32] is a complex of thiol-endopeptidases, which is used in traditional medicine due to its anti-inflammatory and digestive activities. Although studies show its antinociceptive action, its mechanism of action is still poorly understood. Proenkephalin (PENK), which is an endogenous enkephalin precursor, is a possible candidate for bromelain substrate due to the presence of pairs of basic amino acid residues flanking the enkephalin sequences. Proenkephalin is expressed not only in the central nervous system but also in the gastrointestinal tract and it is thus accessible to orally administered bromelain. The objective of this study was to evaluate whether (1) hydrolysis of proenkephalin by stem bromelain in vivo is associated with the release of enkephalin and (2) the antinociceptive effect of stem bromelain depends on its proteolytic activity. Studies carried out on Swiss-strain mice (hot plate tests, abdominal contortion induced by acetic acid and formalin) have confirmed that the antinociceptive activity of stem bromelain depends on the proteolytic activity when administered orally. The maximal analgesia dose (3 mg/kg) was observed 3 h after administration, whereas higher doses (300 mg/kg) showed no antinociceptive response (P>0.05; compared to the control group). We used in vitro assays and showed that stem bromelain hydrolyzes PENK-derived peptides after the Arg-Arg, Lys-Arg, and Lys-Lys residues, which flank the enkephalin sequences. Subsequent in vivo studies have shown that oral administration of bromelain in mice reduces the jejunal PENK levels and increases the serum enkephalin levels. These effects were not followed by change in blood coagulation based on the times of prothrombin (PT) and activated partial thromboplastin (APTT). Bromelain was also not detected in the serum of treated animals. Taken together, these findings suggest that PENK hydrolysis in the gastrointestinal tract and the consequent release of enkephalin contribute to the antinociceptive effect of orally administered stem bromelain. In addition, our data reinforce the potential use of bromelain as a phytotherapeutic analgesic drug.
bromelines / pharmacology,;2.cysteine ​​endopeptidases;3.analgesics
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

BIOFISICA
ESTRUTURA, ATIVIDADES E SINTESE DE PEPTIDEOS E PROTEINAS
BIOLOGIA MOLECULAR DE RECEPTORES

Banca Examinadora

LUIZ JULIANO NETO
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
EDEMILSON CARDOSO DA CONCEICAO Participante Externo
ADAIR ROBERTO SOARES DOS SANTOS Participante Externo
MARIA LUIZA VILELA OLIVA Docente - PERMANENTE
CADEN SOUCCAR Participante Externo

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim