Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
LETRAS (40002012012P8)
Entre sujeito e objeto: representações femininas em Ibsen.
VICENTONIO REGIS DO NASCIMENTO SILVA
TESE
28/04/2017

Considerado um dos grandes nomes da dramaturgia moderna, Henrik Ibsen (1828-1906) dedicou boa parte de sua obra a explicitar os problemas da família burguesa, concedendo destaque à mulher, que não usufruía da liberdade nem dos benefícios capitalistas destinados ao homem. Com a publicação de Casa de bonecas, provoca alvoroço nos palcos e na sociedade. Os movimentos conservadores e os progressistas/feministas – tanto os do século XIX quanto os do século XX – combatem ou ratificam suas obras. Nossa tese repousa na concepção de que, em sua maioria, suas personagens femininas são sujeitos (históricos e de direito) que se sobrepõem às mulheres (reais) do século XIX. A construção da imagem da mulher (silenciada por mecanismos de dominação simbólica, (re)transmitidos e (re)produzidos por meio da Igreja, da Educação e do Trabalho) e a concepção da mulher-sujeito ocorrem pela perspectiva de, entre outros, Michelle Perrot, Michel Foucault, Alain Touraine, Pierre Bourdieu e Simone de Beauvoir. A propriedade sobre o corpo e a vida integra o patrimônio do marido/sujeito/proprietário a quem cabe as decisões sobre a mulher/objeto/propriedade. Nas obras analisadas – Casa de bonecas (1879), Um inimigo do povo (1882), O pato selvagem (1884), A dama do mar (1888), Hedda Gabler (1890), Solness, o construtor (1892), John Gabriel Borkman (1896) – independentemente da condição de protagonista ou de personagem secundária, os modelos femininos opõem-se aos da história: as personagens femininas têm voz (recorrem ao discurso, ferramenta de libertação), vez (instauram espaços) e liberdade (sexual e afetiva, aplicando suas escolhas ao casamento, à família, à maternidade e ao corpo). A emancipação ocorre pelo discurso, trajeto de definição de si por si mesmo e de si pelo, com, para e contra o outro, construindo-se identidades por meio de conflitos internos e externos. A definição do sujeito dramatúrgico ocorre pelo modelo actancial de base greimasiana e aprofundado, no âmbito dramatúrgico, por Anne Ubersfeld, acompanhado do referencial teórico da Análise do Discurso e da Semiótica de Linha Francesa. A constituição do sujeito histórico erige-se na comparação das práticas e representações da mulher do século XIX, geralmente delineada como mulher-objeto, às das mulheres ibsenianas, construídas como mulher-sujeito cujas ações ainda seriam consideradas ousadas até mesmo após o início da Guerra Fria.

Dramaturgia moderna. Ibsen. Representações do feminino.
Considered one of the great names of modern drama, Henrik Ibsen (1828-1906) dedicated a lot of his work to explicit the problems of the bourgeois family, granting an emphasis to the woman, which didn’t enjoy the freedom or the capitalist benefits destined to the man. With the publication of Casa de bonecas, causes rampage in stages and in society. The conservative movements and the progressives / feminists fight or ratify their works. Our thesis establish on the conception that, in most cases, their female characters are subjects (historic and by law) that overlap to women (real) of the nineteenth century. The construction of the image of women (silenced by symbolic domination mechanisms, (re) transmitted and (re) produced by the Church, Education and Labour) and the idea of women-subject occurs by the perspective of, among others, Michelle Perrot, Michel Foucault, Alain Touraine, Pierre Bourdieu and Simone de Beauvoir. The property of the body and of the life is part of the heritage of the husband/subject/owner, which is responsible for decisions about the woman/object/property. Front of the works analyzed - Casa de bonecas (1879), Um inimigo do povo (1882), O pato selvagem (1884), A dama do mar (1888), Hedda Gabler (1890), Solness, o construtor (1892), John Gabriel Borkman (1896) - regardless of the condition of the protagonist or of the secondary character, female models are opposed to the story ones: the female characters have voice (resort to the speech, a freedom tool), time (establish spaces) and freedom (sexual and affective, applying their choices to marriage, the family, motherhood and the body). The emancipation happens by the speech, path to definition of you by yourself and of you by, with, for and against other, building up identities through internal and external conflicts. The definition of the dramaturgical subject is in the actantial model from Anne Ubersfeld. The constitution of the historical subject is erected on the comparison of practices and representations of nineteenth-century woman, generally delineated as a woman-object, to the ibsenianas women, built as a woman-subject, whose actions would still be considered bold even after the beginning of the Cold War.
Modern dramaturgy. Ibsen. Female representations.
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

LITERATURA COMPARADA
INTERMEDIALIDADES E NOVAS FORMAS ARTÍSTICAS
Estudos de dramaturgia moderna e contemporânea

Banca Examinadora

SONIA APARECIDA VIDO PASCOLATI
DOCENTE - COLABORADOR
Sim
Nome Categoria
SUELY LEITE Docente - PERMANENTE
LUIZ CARLOS SANTOS SIMON Docente - PERMANENTE
MIRLA CISNE ALVARO Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 35

Vínculo

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Não