Dados do Trabalhos de Conclusão

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
EDUCAÇÃO (31005012001P0)
Letramento Científico no Brasil e no Japão a partir dos resultados do Pisa
ANDRIELE FERREIRA MURI LEITE
TESE
17/04/2017

Este estudo compara o Letramento Científico dos alunos brasileiros e japoneses a partir dos resultados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes – Pisa. Deste Programa participam estudantes de 15 anos de países membros e convidados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em cada ciclo, uma das áreas cognitivas – Ciências, Leitura e Matemática – é o foco principal da avaliação. Em 2006 e 2015 o foco foi Ciências e, por isso, utilizamos essas edições. O Japão apresenta um dos melhores resultados do Programa, enquanto o Brasil aparece atrás até mesmo de países latino-americanos com realidades análogas as suas. Contudo, comparações devem ser conduzidas com cautela. A necessidade e relevância da padronização ou uniformização das condições de aplicação dos instrumentos de medida é um dos pressupostos mais importantes da avaliação, do ponto de vista psicológico ou educativo, e o comportamento diferencial dos itens (DIF - Differential Item Functioning), num teste, pode tornar o processo avaliativo injusto. Um item apresenta DIF quando alunos que possuem a mesma habilidade cognitiva não têm a mesma probabilidade de acertá-lo. Em virtude disso, procuramos identificar as características dos itens do teste de Ciências da edição de 2006 (competências, áreas do conhecimento, áreas de aplicação, âmbito, tipo e idioma) que sinalizam a existência de ênfases curriculares que pudessem explicar as diferenças de desempenho encontradas entre Brasil e Japão. Os resultados das análises sugeriram uma diferença nas ênfases curriculares do Ensino de Ciências, sobretudo, nas áreas do conhecimento avaliadas pelo Programa. Sendo assim, nos pareceu importante conduzir também uma pesquisa qualitativa envolvendo análise documental, observação de aulas, apresentação de questionário aos professores observados e entrevistas. Observamos o uso do tempo das aulas; registramos as ênfases curriculares; observamos a ocorrência e a percepção dos professores em relação à frequência com que ocorrem em sala de aula atividades relacionadas à interação, investigação, experimentação e aplicação, e buscamos entender, com a ajuda de especialistas e gestores, a diferença significativa de desempenho no Pisa, entre os estudantes do Brasil e do Japão. Os resultados mostram que mais de 20% do tempo oficial de aula observados no Brasil é desperdiçado com questões outras que não o ensino efetivo de Ciências e que, comparativamente, isto representa 10 vezes mais do que no Japão. Há ênfases curriculares nos dois países, contudo, no Brasil, esta é mais acentuada nas Ciências Naturais. O currículo é distribuído mais homogeneamente no Japão e é seccionado ao longo dos anos escolares no Brasil. Apesar de apresentarem excelentes resultados no Pisa, os alunos japoneses, e também os brasileiros, não reconhecem que seus professores adotem com frequência atividades relacionadas à interação, investigação, experimentação e aplicação. As atividades mais recorrentes observadas no Japão, e admitidas pelos professores japoneses, são as de experimentação e interação. No Brasil, as mais freqüentes são as de interação e aplicação. O Japão tem uma história de excelência sustentada, que coloca o país no topo dos rankings internacionais de pesquisas educacionais que envolvem avaliação, o que nos levou a procurar identificar características que possam explicar o sucesso do país e lições que possam ser aprendidas com sua experiência.

Letramento Científico;DIF;TRI;Avaliação Educacional;Pisa;Brasil;Japão;Ênfases Curriculares;Estudo Comparado
This study compares the Scientific Literacy of Brazilian and Japanese students based on the results of the Programme for International Student Assessment - Pisa. This Program is administered to 15 year-old students from members and invited countries of the Organization for Economic Co-operation and Development (OECD). In each cycle, one of the cognitive areas - Science, Reading and Mathematics - is the main focus of evaluation. In 2006 and 2015 the focus was on Science and we therefore use these editions. Japan has one of the best results of the Program, while Brazil appears even behind Latin American countries with similar realities. Still, comparisons should be conducted with caution. The necessity and relevance of the standardization of the conditions of application and of the measurement instruments is one of the most important assumptions of the evaluation, either in the psychological or educational scope, and the Differential Item Functioning (DIF) in a test can make the evaluation process unfair. An item displays DIF when students who have the same cognitive ability are not as likely to answer it correctly. As a result, we sought to identify the characteristics of the 2006 science test items (competences, areas of knowledge, application areas, focus, type and language) that indicate the existence of curricular emphases that could explain the differences in performance found between Brazil and Japan. The results of the analyzes suggested a difference in the curricular emphasis of Science Teaching, especially with respect to the areas of knowledge evaluated by the Program. Therefore, it seemed important to conduct a second, qualitative approach, involving documentary analysis, class observation, questionnaire presentation to teachers observed and interviews. We observed the use of class time; recorded the curricular emphases; observed the occurrence and frequency of activities related to interaction, investigation, hands-on and application from the perspective of students, teachers and observation; And we tried to understand, with the help of experts and Pisa managers, the great difference of performance between Brazil and Japan in Pisa. The results show that more than 20% of official classroom time observed in Brazil is wasted with questions other than effective teaching of science. 10 times more than in Japan. There are curricular emphases in both countries, however, in Brazil, more pronounced in Natural Sciences. The curriculum is distributed more homogeneously in Japan, while completely sectioned in Brazil. Although presenting excellent results in Pisa, Japanese students do not admit (also the Brazilians), by their teachers, frequent use of activities related to interaction, investigation, hands-on and application. The most recurrent activities observed in Japan, and also admitted by Japanese teachers, are those of hands-on and interaction. In Brazil, those of interaction and application. Japan has a history of sustainable excellence and has been at the top of the international ranking of educational surveys since they began. Thus, we explore characteristics that may explain the success of the country and lessons that can be learned from its experience
Scientific Literacy;DIF;IRT;Educational Assessment;Pisa;Brazil;Japan;Curricular Emphasis. Comparative Study.
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PORTUGUES
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
O trabalho possui divulgação autorizada

Contexto

EDUCAÇÃO BRASILEIRA
EDUCAÇÃO, RELAÇÕES SOCIAIS E CONSTRUÇÃO DEMOCRÁTICA
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Banca Examinadora

ALICIA MARIA CATALANO DE BONAMINO
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
ROSALIA MARIA DUARTE Docente - PERMANENTE
MARIA ISABEL RAMALHO ORTIGAO Participante Externo
TUFI MACHADO SOARES Participante Externo
MARTA FEIJO BARROSO Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
CONS NAC DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E TECNOLOGICO - Bolsa de Mestrado GM e Doutorado GD 48

Vínculo

CLT
Outros
Outros
Não