Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
LETRAS (23002018004P7)
Uma leitura dupla sobre o silêncio e a loucura em Jane Eyre
VANALUCIA SOARES DA SILVEIRA
DISSERTAÇÃO
22/11/2013

O objetivo desta pesquisa é fazer uma leitura dupla de Jane Eyre (2008), da escritora inglesa Charlotte Brontë (1816-1855) e publicado em 1847, sob a abordagem pós-colonialista, concernente a uma sistematização de reflexões sobre as relações coloniais, a partir da leitura de obras do cânone ocidental. A análise fundamentar-se-á, principalmente, no pensamento de Said (2008; 2011), Ascroft et al. (2010), Bhabha (2010), Fanon (1983), Césaire (1978), Spivak (2010), Foucault (2000; 2009; 2010; 2011) e Derrida (1981; 2002). Deste autor, aproveitaremos seu método da desconstrução, derivado da filosofia platônica, para mostrar que o silêncio e a loucura, no romance de Brontë, acumulam interpretações contrárias, tanto do lugar do colonizador como do colonizado. A proposta, portanto, é ambivalente: primeiro, realizar uma leitura colonialista, dizendo que a loucura de Bertha Mason pode ser uma patologia, e seu silêncio, consequência disso, relacionados à ideologia de superioridade da raça branca sobre a não branca com fundamento na teoria da evolução de Charles Darwin, pregada na Inglaterra vitoriana, época de surgimento da obra; depois, reler os mesmos fatos, levantar contrapontos para essa interpretação, assinalar, agora pela ótica pós-colonialista, que o silêncio e a loucura da jamaicana tanto podem corresponder à política de opressão e repressão coloniais, aliada ao sistema capitalista, quanto podem corresponder a uma manifestação subversiva contra essa política e esse sistema. Ambas as leituras visam a discutir a identidade do subalterno com base em questões de raça e relação colonial, destacando a metáfora do casamento de Bertha Mason com Rochester e a relação da crioula com a branca Jane Eyre, mostrando, de um lado, as estratégias do homem branco para explorar a autóctone e civilizá-la, através do transplante cultural, e, de outro, as estratégias do colonizado para desestruturar essa ordem, para fazer-se ouvir. Um ponto a se destacar é a opção estética da autora, ao dar voz a Jane Eyre, que conta sua história de acordo com discursos de personagens, também, de sua raça, sobretudo, Rochester, enquanto praticamente anula a voz do não branco, pois silencia a personagem Bertha Mason e dá pouco espaço para a fala de Richard Mason. No entanto, esse silêncio apresenta-se de forma ambígua, porque, concomitantemente, ele pode representar o aniquilamento do idioma nativo e a rejeição do idioma metropolitano, e, paralelamente, o destino das duas culturas: a europeia e a não europeia. Diante da multiplicidade de interpretações que o texto possibilita, o lugar de onde o analisaremos será o da aporia, da indecidibilidade, dos interstícios, ou dos entre-lugares, o local do equilíbrio de sentidos, da abertura às diferenças culturais, raciais, religiosas, políticas e econômicas. Portanto, correlata à nossa posição, está a obra em si, devido ao seu caráter duplo, de reunir significados de natureza oposta, porém suplementares, dividindo, simultaneamente, um mesmo espaço.

Jane Eyre. Leitura Dupla. Silêncio. Loucura. Pós-colonialismo
The aim of this research is to conduct a double reading of Jane Eyre (2008), written by the English writer Charlotte Brontë (1816-1855) and published in 1847, under a post-colonialist approach, concerning a systematic reflection on colonial relations spawned from reading the Western canon. The analysis will be based mainly upon the theories of Said (2008, 2011), Ashcroft et al. (2010), Bhabha (2010), Fanon (1983), Césaire (1978), Spivak (2010), Foucault (2000; 2009; 2010; 2011) and Derrida (1981; 2002). From the latter, we will use his deconstructionist method, derived from the Platonic philosophy, to show that silence and madness, in Brontë's novel, accumulate contrary interpretations, both from the place of the colonizer as well as the colonized. The proposal, therefore, is ambivalent: first to perform a colonialist reading, stating that the madness of Bertha Mason can be a disease, and her silence its result, related to the ideology of superiority of white over non-white based on Charles Darwin's evolution theory, preached in Victorian England at the time of appearance of the work; afterwards, reread the same facts, raising counterpoints to this interpretation, to sign, now from the post-colonial perspective, that the Jamaican‟s silence and madness can either match the policy of colonial oppression and repression, coupled with the capitalist system, as it may correspond to a subversive demonstration against such politics and system. Both readings aim to discuss the identity of the subaltern based on issues of race and colonial relationship, highlighting the metaphor of Bertha Mason and Rochester‟s marriage and the relationship between the Creole and the white Jane Eyre, showing, on the one hand, the white strategies to explore the autochthonous woman and to civilize her, through cultural transplant, and on the other, the colonized strategies to disrupt this order, to make her/himself heard. One thing to point out is the author's aesthetic choice to give voice to Jane Eyre, who tells her story according to speeches of white characters, especially Rochester‟s, while practically nullifying the voice of non-whites, since she mutes the character Bertha Mason and gives little space to Richard Mason speech. However, this silence is presented ambiguously, for, concurrently, it may represent the annihilation of the native language and the rejection of the metropolitan language, and, in parallel, the fate of two cultures: the European and non -European. Given the multiplicity of interpretations the text enables, the place where we will look for will be from the aporia, the undecidability, the interstices, or the in-between places, the place of sensory balance, the openness to cultural, racial, religious, political and economic differences. Therefore, related to our position, is the work itself, because of its twofold nature, to gather meanings of opposite nature, but additional, sharing the same space simultaneously.
Jane Eyre. Double Reading. Silence. Madness. Post-colonialism
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

ESTUDOS DO DISCURSO E DO TEXTO
DISCURSO, MEMÓRIA E IDENTIDADE
Indústria cultural e apropriação

Banca Examinadora

CHARLES ALBUQUERQUE PONTE
Sim
Nome Categoria
NELSON ELIEZER FERREIRA JUNIOR Participante Externo
JOSE VILIAN MANGUEIRA Docente
MANOEL FREIRE RODRIGUES Docente

Vínculo

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Sim