Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
EPIDEMIOLOGIA (42001013074P2)
Mutações de Resistência Transmitida do Vírus da Imunodeficiência Humana aos Antirretrovirais: Prevalência e Impacto no Desfecho Virológico
CARINA GUEDES RAMOS
TESE
30/03/2016

Antecedentes: As mutações de resistência transmitida do vírus da imunodeficiência humana aos antirretrovirais (TDRM) podem afetar a efetividade da primeira linha dos esquemas empíricos da terapia anti-retroviral (TARV). Acredita-se que sua prevalência esteja aumentando no mundo, porém não há resumo claro e conciso da prevalência das TDRM no Brasil. Métodos: Foram realizadas buscas eletrônicas nas bases de dados Medline, Embase e Cochrane CENTRAL (até dezembro de 2015) para identificar ensaios clínicos randomizados ou estudos observacionais que relataram o risco de FV entre pacientes portadores de HIV virgens de tratamento com e sem MTRF. O risco de viéses foi avaliado com a escala de Newcastle-Ottawa. Realizamos metanálise de efeitos aleatórios das razões de risco (RR). A heterogeneidade foi avaliada pelo teste de inconsistência (I2) e suas fontes foram investigadas em análise de sensibilidade de subgrupos na meta-análise quando adequado. A Revisão sistemática da literatura para produzir um resumo atualizado das estimativas de prevalência das MRTD entre pacientes com HIV, adultos, virgens de tratamento, no Brasil. Realizamos buscas eletrônicas nas bases de dados Medline, Embase, Lilacs e Cochrane CENTRAL (até dezembro de 2015) para identificar estudos observacionais que relatam a prevalência de MRTD ao HIV no Brasil. Foi realizada uma metanálise de único braço utilizando modelo dos efeitos aleatórios para obter (RR). Os intervalos de confiança de 95% foram calculados. A heterogeneidade foi avaliada pelo teste de inconsistência (I2) e suas fontes foram investigadas em análises de sensibilidade de subgrupos de estudos sempre que adequado. Resultados: no estudo do impacto das mutações de resistência transmitida do HIV aos antirretrovirais na resposta ao primeiro tratamento antirretroviral foram encontrados 20 estudos observacionais (15 de coorte e 5 estudos caso-controle) e nenhum ensaio clínico randomizado relatando taxas de FV entre pacientes portadores de HIV virgens de tratamento com e sem MTRF. O RR de FV para ter qualquer MTRF foi de 1,07 (IC 95% 0,97-1,19) em uma meta-análise de 13 estudos de coorte que forneceram informações suficientes (I2 = 74%). Para NRTI, NNRTI e IP, as estimativas de RR em meta-análise foram de 1,11 (IC 95% 0,95-1,30), 1,24 (0,97-1,57) e 1,43 (0,96-2,11), respectivamente. A heterogeneidade diminuiu substancialmente para os subgrupos de classes de drogas (I2 = 33%, 59% e 48%, respectivamente). A avaliação da qualidade metodológica indicou ausência de ajuste abrangente para fatores de confusão em 6 dos 20 estudos e a análise do gráfico de funil indicou uma baixa probabilidade de viés de publicação. Na revisão sistemática da prevalência, 59 estudos atenderam aos critérios de inclusão da revisão sistemática. 58 relataram MRTD para todas as principais classes de drogas e um foi limitado a inibidores da protease (IP). Apenas as principais mutações atualmente sob vigilância (Stanford, 2015) foram contabilizadas. A meta-análise revelou uma prevalência de MRTD de 9,3% (IC 95% 8,0-10,8) (I2 = 12,7%), considerando mutação a qualquer classe de drogas. Os valores para MRTD específicas para NRTI, NNRTI e PI foram de 4,8% (IC 95% 3,8 a 6,0; I2 = 0%), 4,0% (IC 95% 3,2 a 4,9; I2 = 0%) e 2,8% (IC 95% 2,4 a 3,2; I2 = 0%), respectivamente. Entre os subgrupos, a prevalência de MRTD foi menor nos doadores de sangue (4,7%; 95% CI 2,7-9,1; I2 = 23%) e maior em homens que fazem sexo com homens (16,9%; IC95% 10,9-25,3; I2 = 0% ) e em usuários de drogas injetáveis (13,7%; IC95% 10,3-18,1; I2 = 0%). A região com a maior prevalência de MRTD foi a região Sudeste (11,2%; IC95% 9,2-18,6; I2 = 8,6%). Conclusão: As evidências disponíveis indicam que as TDRM tenham pouco ou nenhum efeito sobre o risco de falha virológica entre pacientes portadores de HIV virgens de tratamento. A estimativa pontual para a prevalência geral de TDRM no Brasil é de 9,3%. Isto é comparável às taxas de prevalência observadas em outros países com elevada cobertura da TARV. A relevância clínica deste achado ainda é um assunto a ser pesquisado

HIV;mutações de resistência
Mutations of human immunodeficiency virus antiretroviral (TDRM) transmitted resistance may affect the effectiveness of the first line of empirical regimens of antiretroviral therapy (ART). It is believed that its prevalence is increasing in the world, but there is no clear and concise summary of the prevalence of MDRD in Brazil. METHODS: We searched the Medline, Embase, and Cochrane CENTRAL databases (through December 2015) to identify randomized clinical trials or observational studies that reported the risk of VF among HIV-positive patients with and without MTRF. The risk of bias was assessed using the Newcastle-Ottawa scale. We performed a random effects meta-analysis of the risk ratios (RR). The heterogeneity was evaluated by the inconsistency test (I2) and its sources were investigated in subgroup sensitivity analysis in the meta-analysis when appropriate. A Systematic review of the literature to produce an updated summary of MRTD prevalence estimates among adult HIV treatment naive patients in Brazil. We performed electronic searches in the Medline, Embase, Lilacs and Cochrane CENTRAL databases (until December 2015) to identify observational studies that report the prevalence of MRTD in HIV in Brazil. A single-arm meta-analysis was performed using the random effects model to obtain (RR). The 95% confidence intervals were calculated. The heterogeneity was assessed by the inconsistency test (I2) and its sources were investigated in sensitivity analyzes of subgroups of studies where appropriate. RESULTS: In the study of the impact of HIV transmission resistance mutations to antiretroviral drugs in response to the first antiretroviral treatment, 20 observational studies (15 cohort and 5 case-control studies) were found, and no randomized clinical trial reporting VF rates among patients with Virgin HIV treatment with and without MTRF. The RR of VF to have any MTRF was 1.07 (95% CI 0.97-1.19) in a meta-analysis of 13 cohort studies that provided sufficient information (I2 = 74%). For NRTI, NNRTI and PI, the RR estimates in meta-analysis were 1.11 (95% CI 0.95-1.30), 1.24 (0.97-1.57) and 1.43 0.96-2.11), respectively. The heterogeneity decreased substantially for subgroups of drug classes (I2 = 33%, 59% and 48%, respectively). The methodological quality assessment indicated no comprehensive adjustment for confounding factors in 6 of the 20 studies and analysis of the funnel plot indicated a low probability of publication bias. In the systematic review of prevalence, 59 studies met the inclusion criteria of the systematic review. 58 reported MRTD for all major classes of drugs and one was limited to protease inhibitors (PIs). Only the major mutations currently under surveillance (Stanford, 2015) were accounted for. The meta-analysis revealed a prevalence of MRTD of 9.3% (CI 95% 8.0-10.8) (I2 = 12.7%), considering mutation to any class of drugs. The values for MRTD specific for NRTI, NNRTI and PI were 4.8% (95% CI 3.8 to 6.0, I2 = 0%), 4.0% (95% CI 3.2 to 4.9 , I2 = 0%) and 2.8% (95% CI 2.4 to 3.2, I2 = 0%), respectively. Among the subgroups, the prevalence of MRTD was lower in blood donors (4.7%, 95% CI 2.7-9.1, I2 = 23%) and higher in men who had sex with men (16.9% , IC95% 10,9-25,3, I2 = 0%) and in injecting drug users (13.7%, 95% CI 10.3-18.1, I2 = 0%). The region with the highest prevalence of MRTD was the Southeast region (11.2%, 95% CI 9.2-18.6, I2 = 8.6%). Conclusion: Available evidence indicates that MDRT have little or no effect on the risk of virologic failure among treatment-naive HIV patients. The one-off estimate for the overall prevalence of MDRD in Brazil is 9.3%. This is comparable to the prevalence rates observed in other countries with high ART coverage. The clinical relevance of this finding is still a subject to be researched.
HIV;Resistance mutations
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

EPIDEMIOLOGIA
DOENÇAS INFECCIOSAS
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Banca Examinadora

CARISI ANNE POLANCZYK
Sim
Nome Categoria
ELIANA MARCIA DA ROS WENDLAND Participante Externo
EDUARDO SPRINZ Participante Externo
RODRIGO ANTONINI RIBEIRO Docente

Vínculo

Servidor Público
Empresa Pública ou Estatal
Outros
Não