Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
MICROBIOLOGIA E PARASITOLOGIA APLICADAS (31003010058P2)
DETECÇÃO DE HPV NO TRATO ORAL PODE SUGERIR INFECÇÃO NO TRATO ANOGENITAL?
THAISSA CORDEIRO ALVARADO
DISSERTAÇÃO
12/11/2015

Enquanto já está definido que o papilomavírus humano (HPV) é o agente etiológico do câncer cervical e do carcinoma anal, ainda pouco se sabe da etiologia do câncer oral, entretanto se aceita que o HPV seja fator predisponente. Assim, estudos são necessários para avaliar sua história natural, epidemiologia e fatores de risco. Com o objetivo de avaliar aspectos da infecção oral e se esta predispõe à infecção anogenital, determinamos a presença do HPV nos sítios de infecção e avaliamos possíveis lesões através de métodos moleculares, contribuindo para a investigação sobre a história natural do vírus. Para tanto foram estudadas um total de 351 amostras de 117 pacientes atendidos no Setor de DST da Universidade Federal Fluminense e na Santa casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Além disso, um questionário sócio-epidemiológico foi preenchido a fim de avaliar os fatores de riscos associados como: comportamento sexual (coito oral, coito anal), uso de drogas (tabaco e álcool), dados epidemiológicos (idade, uso de anticoncepcional oral, idade da primeira relação sexual). De cada paciente foi coletada uma amostra de lesão genital, uma de mucosa oral saudável e uma de mucosa anal saudável totalizando 117 genitais, 117 orais e 117 anais. Todos os pacientes possuíam lesão genital aparente e as mucosas orais e anais, saudáveis Para detecção e tipificação do genoma viral, os métodos utilizados foram a Reação em cadeia da Polimerase (PCR) e o polimorfismo do comprimento dos fragmentos de restrição (RFLP). Nossos resultados apontaram uma prevalência alta da infecção por HPV em lesões genitais de 89,7% (105/117), 59% (69/117) em amostras anais e nas amostras orais, tal prevalência foi de 54,7% (64/117). Destacamos a alta preponderância dos genótipos HPV6 e HPV11, onde o HPV 11 (46,3%) foi mais encontrado, sugerindo ser melhor adaptado a mucosa oral masculina. Para as infecções genitais, a prática tanto de sexo oral como de sexo anal receptivo representaram importantes fatores de risco, com significância estatística (p=0,039 e p=0,0000012). Nosso estudo parece sugerir que a ingestão de álcool é um fator de risco para a infecção oral pelo HPV (p=0,0075). Em 36,75% (43/117) dos casos, observamos infecções em todos os sítios concomitantemente, com uma prevalência de concordância de tipos genitais com os tipos orais e anais em 21(18%) casos. Em relação aos sítios sem lesão clinica aparente e com a presença do vírus pode-se sugerir que eles atuam como reservatórios para o HPV possibilitando a transmissão aos seus parceiros, bem como a disseminação por auto-inoculação. Nosso estudo pode concluir que a detecção da infecção oral não é adequada como uma ferramenta auxiliar de diagnóstico para as infecções anogenitais, uma vez que a simultaneidade foi detectada em apenas 51,2% dos casos. Embora a presença do HPV no sítio oral não represente um bom biomarcador para infecções em outros sítios, estudos devem ser conduzidos para a construção e compreensão da história natural da infecção dos papilomavírus nos hospedeiros.

HPV, cavidade oral, trato genital, concomitância de DNA, concordância de genótipos
While already established that the human papillomavirus (HPV) is the causative agent of cervical cancer and anal carcinoma, little is known about the etiology of oral cancer, but it is accepted that HPV is a predisposing factor. Thus, studies are needed to evaluate his natural history, epidemiology and risk factors. The aim of study is evaluate aspects of oral infection and if they predispose the host to anogenital infection. For that we determine the presence of HPV infection in these sites and evaluate all possible lesions by molecular methods, contributing to research on the natural history of the virus. Therefore, we studied a total of 351 samples from 117 patients attending the STD Universidade Federal Fluminense and the Santa Casa de Misericórdia of Rio de Janeiro. Also, a socio-epidemiological questionnaire was completed to assess the risk factors associated as sexual behavior (oral intercourse, anal intercourse), drug use (tobacco and alcohol), epidemiological data (age, use of oral contraceptives, and age at first intercourse). From each patient was collected a sample of a genital lesion, a healthy oral mucosa and a healthy anal mucosa, totaling 117 genital, 117 oral and 117 annals. All patients had a clinical apparent genital lesions and oral and anal, healthy mucous. In this study, for detection and genotyping of the viral genome, the methods used were the Polymerase Chain Reaction (PCR) and the fragment length polymorphism method (RFLP). Our results showed a high prevalence of HPV infection in genital lesions of 89.7% (105/117), 59% (69/117) in anal samples and oral samples, this prevalence was 54.7% (64 / 117). We found a high prevalence of HPV6 and HPV11 genotypes, among which HPV 11 (46.3%) was the most commonly found, suggesting that they better adapted to male oral site. For genital infections, the practice of both oral sex and anal receptive sex represented important risk factors with statistical significance (p = 0.039 and p = 0.0000012). Our study seems to suggest that the use of alcohol is a risk factor for oral HPV infection (p = 0.0075). In 36.75% (43/117) of the patients, we detected concurrent HPV infections in all sites (genital- anal - oral sites). About concordance of genotypes, our study reached the prevalence of concordance of genotypes between genital, oral and anal sites in 21 (18%) cases. In relation to sites with presence of the virus and no apparent clinical lesions, it can be suggested that they act as reservoirs for HPV allowing the transmission to their partners as well as the spread by self-inoculation. Our study pointed out that the detection of oral infection is not appropriate as an auxiliary diagnostic tool for anogenital infections, since the simultaneity was detected in only 51,2% of cases. Although the presence of HPV in oral site does not represent a good biomarker for infections at other sites, studies must be conducted for the construction and understanding of the natural history of infection of papillomavirus in the host.
HPV, oral cavity, genital tract, genotypes concordance, concurrent HPV infections.
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
O trabalho possui divulgação autorizada

Contexto

MICROBIOLOGIA
VIROLOGIA
DETECÇÃO DE HPV NO TRATO ORAL PODE SUGERIR INFECÇÃO NO TRATO ANOGENITAL?

Banca Examinadora

SILVIA MARIA BAETA CAVALCANTI
Não
Nome Categoria
RITA DE CASSIA NASSER CUBEL GARCIA Docente
LEDY DO HORTO DOS SANTOS OLIVEIRA Docente
JACYARA MARIA BRITO MACEDO Participante Externo

Vínculo

Colaborador
Outros
Outros
Sim