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Dados do Trabalho de Conclusão
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
FILOSOFIA (31005012006P1)

Discurso, Verdade e Contraconduta em Michel Foucault
FRANCISCO ADRIANO ROCHA UCHOA
DISSERTAÇÃO
15/09/2014

A intenção desta pesquisa não é realizar um recorte do pensamento de Foucault. Não se trata de uma resenha conceitual ou mesmo da pretensão da escritura de uma dissertação sobre determinada produção ou categoria foucaultiana (assumindo que seja possível a utilização deste termo quando nos referimos ao que representa a obra do pensador francês). Parece ser mais instigante procurar em Foucault o arcabouço necessário para se chegar ao objetivo final da análise da temática a ser estudada, qual seja: a possibilidade contemporânea da contraconduta e resistência aos modos de subjetivação erigidos pela modernidade e que seguem legitimados ainda hoje. Para tanto, será necessário refazer alguns passos do pensador de As palavras e as coisas, já que, se julga aqui, Foucault seria a melhor referência de pensamento para tal reflexão. O marco inicial desta trajetória será o estudo das noções que orbitam A Arqueologia do Saber (1969) de Foucault. Nela o pensador francês aponta caminhos para a análise discursiva por rotas contrárias às metodologias encontradas nas discussões da epistemologia tradicional, onde, em muitos casos, a tentativa de elaboração de sistemas de pensamento orbita a noção de Ursprung em concordância com as práticas exegéticas e pletóricas, culminando no estabelecimento de uma relação entre acontecimento e origem que seria historicamente inverificável. A característica principal de tais práticas seria a substituição, no âmbito do conhecimento, da diversidade das coisas ditas e feitas por uma totalidade uniforme e pelo engendramento de continuidades teleológicas. Por outro lado, a arqueologia foucaultiana propõe a recusa das formas continuístas dos saberes através da análise enunciativa, que se utiliza de uma lei de raridade em oposição à abundância de significados na interpretação e uso dos discursos. Abrem-se, portanto, novos campos de pesquisa num domínio de investigação relacionado ao conjunto de todos os enunciados efetivos na sua própria configuraçãoacontencimental e dispersiva. A partir disso, pode-se realizar um salto conceitual no interior mesmo do pensamento de Foucault e colocar junto à análise do discurso a questão do poder já que, como expõe Hannah Arendt no prólogo de A Condição Humana, o discurso faz do homem um ser político. Em Foucault, a análise dos enunciados (e a recherche por suas condições de possibilidade de aparecimento) também demonstra a qualidade de objeto de luta política e de desejo presente nos discursos, o que faz pensar nos modos de existência dos sujeitos a partir da relação intrínseca com tais discursos ditos verdadeiros. A partir da concepção foucaultiana de que a verdade não seja constituída por aparatos lógicos outorgados pela racionalidade moderna e filosófica, mas que seja resultado de luta, de estratégia e de conquista, pensar os modos de possibilidade de reconhecimento e resistência individual aos paradigmas modernos por meio de uma análise ética e epistemológica parece ser o caminho. Sendo assim, nosso objetivo será o de tentar responder as seguintes questões em torno no problema apresentado: em que sentido Foucault oferece concepções de discurso e enunciado distintas daquelas provenientes da análise linguística e da história do pensamento? Quais as implicações das diferenças conceituais propostas pelo filósofo francês em relação às impostas pela tradição filosófica? É possível traçar uma história da verdade? Em que sentido as discurso institucional implica na constituição da subjetividade dos indivíduos? A resposta dessas questões talvez conduza este trabalho ao seu objetivo mais ousado: a hipótese de que a análise dos jogos discursivo do verdadeiro e do falso por meio da arqueologia foucaultiana possa conduzir o pensamento a uma ontologia histórica e crítica de nós mesmos, abrindo um espaço de resistência à dominação. É possível que o entendimento daquilo que Foucault explicita em A Arqueologia do Saber ajude a compreender de fato qual o papel da verdade na formulação de um projeto ético, mais especificamente no que se refere à apropriação do saber como instrumento de contraconduta, isto é, de resistência às ordens hegemônicas do discurso institucionalizado.

Discurso. Contracontuda.Cinismo.
The goal of this research is not to perform an analysis on Foucault's thoughts. It is not about a conceptual digest and it does not claim to write a dissertation about any of his work. It seems more exciting to find on Foucault's work, the necessary outline to achieve the final analysis of the theme to be studied, which is: the contemporary possibility of resistance to the modes of subjectivity created by modernity that are still legitimated today. Therefore, it is necessary to retrace some of his steps in "The Words and The Things". The initial boundary of this work is studying the notion that orbits "Archeology of Knowledge" through the foucaultian thought that says that the truth must be comprehended as a result of a struggle, a strategy and a conquest and, besides, discussing the possible ways of recognizing and doing individual resistance against the modern paradigms through a critical ontology of ourselves. This way, this work intends to answer the following questions: in which way does Foucualt’s thought offers conceptions of speech and enunciation that differs from the ones that originate from the linguistical analysis and from the history of thought? Which are the consequences of the conceptual differences proposed by Foucault in relation to the ones imposed by the philosophical tradition? Is it possible to draw a trajectory of the history of truth? In which way does the institutional speech implies the constitution of subjectivity of individuals?
Discourse, Truth and Counterconduct in Michel Foucault
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PORTUGUES
Biblioteca Setorial do CTCH

Contexto
FILOSOFIA
ÉTICA E FILOSOFIA POLÍTICA
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Banca Examinadora
Orientador:
RODRIGO GUIMARAES NUNES
O orientador principal compôs a banca do discente?
Sim
Nome Categoria
EDGAR DE BRITO LYRA NETTO Docente
FILIPE CEPPAS DE CARVALHO E FARIA Participante Externo

Financiadores
Financiador - Programa Fomento Número de Meses
CONS NAC DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E TECNOLOGICO - Bolsa no país - Pós-graduação 24

Vínculo
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Outros
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