Dados do Projeto de Pesquisa

EDUCAÇÃO, CULTURA E COMUNICAÇÃO (31004016051P0)
GRANDES EVENTOS: OPORTUNIDADES, DILEMAS E DESAFIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA DE JOVENS DE FAVELAS E PERIFERIAS NA METRÓPOLE DO RIO DE JANEIRO
01/12/2013
PESQUISA
EM ANDAMENTO
“Cidade de Eventos”, “Cidade Olímpica”, “Década de Ouro” são alguns dos termos usados para definir o momento atual do Rio de Janeiro. Além dos mega-eventos que sediará, a região metropolitana do Rio de Janeiro tem se tornado destacado pólo de atração de investimentos nacionais e internacionais , possibilitando maior oferta de empregos e oportunidades para a população da sua região metropolitana e projetando uma perspectiva otimista para o futuro. No entanto, um dilema se apresenta: a ‘Década de Oportunidades’ impulsionada pelos Grandes Eventos que o Rio sediará, atraindo investimento à metrópole como um todo, conforme propalado entusiasticamente pelas autoridades e por diversos setores da sociedade, como partes do empresariado (a grande mídia entre eles), está gerando oportunidades reais para os jovens? Este ciclo de desenvolvimento econômico é conjugado com a extensão de direitos? Ou o atual ciclo de desenvolvimento conduz apenas uma forma de grandes agentes de mercados terem acesso a territórios urbanos anteriormente segregados, num contexto de maior penetração do capital e de expansão do mercado como horizonte (não apenas possível, mas ideal) nos espaços favelados e/ou periféricos da metrópole cabendo às parcelas mais pobres da população, apenas agir de modo ‘empreendedor’? Nesse sentido, queremos entender de que modo as atuais políticas públicas e as ações conduzidas por agentes de mercado interferem na vida de jovens de favelas e periferias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como ocorrem na prática e como esses jovens percebem essas dinâmicas, quais são suas expectativas e suas perspectivas sobre essas políticas, centrando a delimitação de nosso objeto em quatro perfis de jovens: estudantes de ensino médio e universitário; jovens em idade escolar fora do mercado de trabalho ou nele inserido de maneira precária; jovens com proximidade ou envolvidos em atividades ilícitas; jovens ativistas, entrando nesta categoria movimentos sociais, culturais e demais formas de organização. Queremos entender ainda de que modo, por um lado escola, universidade, cursos técnicos e/ou profissionalizantes, e por outro, organizações comunitárias são apreendidos por esses jovens e contribuem para sua inserção social e na formação de sua cidadania. E se as atuais políticas, como as Unidades de Polícia pacificadora (UPPs), entre outras, são meras possibilidades de um maior controle por parte do Estado da população moradora de favelas e áreas periféricas, ao invés da construção de uma cidadania que seja tanto reguladora de deveres quanto garantidora de direitos. Delimitação do objeto Na contramão da euforia do momento e das perspectivas que se apresentam à metrópole, grande parte da juventude de favelas e regiões periféricas não se sente contemplada pelas oportunidades. A ideia de injustiça cresce na proporção do crescimento econômico, o que pôde ser visto nas Jornadas de Junho, quando vários jovens participaram ativamente dos protestos, como no centro do Rio. Entre outras razões, a injustiça e os dilemas para a construção e exercício da cidadania se revelam, por menos não seja do que uma revolta dirigida principalmente à polícia , que se torna uma das instituições que mais contribui para desconfiança dos jovens no papel do Estado, em seu arcabouço jurídico e nas suas instituições. Estado e leis acabam por não adquirir legitimidade numa ordem alheia ao reconhecimento de direitos de moradores de favelas e periferias, questão que se agrava ainda mais se esses forem afro-descedentes. Nas favelas, o processo de pacificação sofre algumas resistências, por vezes daqueles que seriam seus maiores beneficiários: moradores, principalmente jovens, de comunidades pacificadas. As UPPs, ao invés de figurarem como políticas de ‘libertação’ da tirania do tráfico, são vistas por muitos jovens como mera continuidade da repressão do governo, principalmente das forças policiais. Mesmo as políticas públicas inseridas no processo dos Grandes Eventos, como a política de pacificação em favelas, que objetivam oferecer novas perspectivas a esses mesmos jovens não encontram a adesão esperada, ou resultados desejados. Por outro lado, há uma percepção social, endossada pelo mapa de implantações das UPPs, pela localização das favelas que são alvo de grandes intervenções dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de que as favelas localizadas dentro do ‘cinturão olímpico’, a área mais próxima dos eventos da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e dos Jogos Olímpicos de 2016, têm sido alvo privilegiados das políticas públicas executadas em sintonia pelos três níveis de governo. Corroborando essa percepção, a alocação dos conjuntos surgidos dentro do Programa Minha Casa Minha vida nas zonas Oeste do município do Rio de Janeiro, muitos dos quais destinados a removidos de favelas das áreas centrais da cidade e a correlação entre a instalação das UPPs e o aumento dos índices de criminalidade violenta em diversos municípios da região metropolitana, notadamente na Baixada Fluminense Embora a própria discussão dos conceitos e usos dos termos ‘Favela’ e ‘periferia’ sejam objeto de reflexão da pesquisa, por ora trataremos os dois como termos consolidados social, política e culturalmente. Vistos comumente como espaços da pobreza ou da exclusão (conforme o interlocutor podem ser excluídos de renda, de serviços, de direitos etc) sendo válido destacar aqui que favela e periferia se enquadram numa concepção dual de cidade, socialmente produzida e que também se revela através de diversas outras dicotomias: formal-informal, favela-bairro, centro-periferia, legal-ilegal... O que nos interessa aqui é analisar como essas dicotomias são construídas socialmente, dentro do que Pierre Bourdieu define como as condições sociais de produção dos enunciados. Atentemos para a idéia de condição social, pois é numa determinada sociedade, sob determinado sistema, que os moradores de favelas e periferias são postos na condição de categoria subalterna. Subalterna em relação àqueles que, como afirma Bourdieu, têm “O poder simbólico como o poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer crer e fazer ver, de confirmar ou de transformar a visão de mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo: poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer ignorado como arbitrário.” Através da história, esses moradores se defrontaram com os discursos e imagens projetados a respeito deles, os quais tiveram de aceitar, relativizar, rejeitar, questionar... tais discursos e imagens que, apreendidos por eles, orientavam-nos a atuar na sociedade. Dessa forma, questões como educação, inserção profissional, redes de relacionamento, entre outras questões, se dão por caminhos particulares nesses espaços, no que tange às políticas públicas, aos modos de agir dos agentes públicos, aos modos da sociedade como um todo tratarem os jovens moradores de favelas e periferias da Região Metropoltiana do Rio de Janeiro (o que é um fenômeno brasileiro), o que gera um histórico passivo em relação a esses jovens, obstruindo a construção de uma cidadania plena, em que tenham direitos sociais, civis e políticos. Gerações de moradores da região metropolitana têm suas trajetórias marcadas pelos os estigmas sobre as favelas e periferias. Nossa pesquisa visa conhecer e acompanhar a trajetória de jovens de comunidades de baixa renda, consideradas favelas ou complexos (englobando várias comunidades) e periferias, em que nosso objetivo é compreender, a partir dos processos econômicos, políticos, culturais e sociais operados na ‘Década de Eventos’, quem são os jovens das favelas e periferias? Que perspectivas possuem? Quais são suas referências culturais? O que esperam para seu futuro? Como percebem o atual momento da cidade e as mais recentes políticas operadas? Para isso iremos ter como campo de investigação oito locais, cujo proponente possui pesquisas anteriores e/ou relações construídas, dispersos pela região metropolitana de modo a traçar um panorama de distintas localidades tendo como parâmetros de análise localização, relação com o entorno, origem e histórico de ocupação, histórico de violência, relação com o Estado e das políticas públicas ocorridas, histórico de associativismo e de mobilizações comunitárias (culturais inclusive), dinâmicas econômicas locais e se são objeto de atuais políticas do Estado. Objetivos Gerais - Identificar as ações e as políticas públicas destinadas e/ou relacionadas aos Grande Eventos interferem nos espaços periféricos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. - Identificar de que forma opera a entrada dos agentes de mercado nos espaços periféricos hoje e como se relacionam com os agentes locais existentes anteriormente. - Compreender os espaços de educação, formais ou não, dos jovens, e como os diferentes espaços interferem na formação do jovem e na formação de redes de relação. - Compreensão das redes de relação e grau de interferência das redes de relação para formação da subjetividade do jovem. Específicos - Partilha de dados e resultados com as instituições de ensino público localizadas dentro e no entorno dessas comunidades. -Realização de seminários com os resultados intermediários e finais da pesquisa. - Intercâmbio e diálogo com estudantes e pesquisadores através de workshops, encontros e orientações referente à presente pesquisa e à similares. - Publicação de artigos acadêmicos relacionados à pesquisa. - Produção de mapas das organizações, ações e programas existentes nas localidades estudadas. - Publicação de um livro com base na pesquisa.

Histórico de Linhas de Pesquisa

Linha de Pesquisa Área de Concentração Data de Início
EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E CULTURA EDUCAÇÃO, CULTURA E COMUNICAÇÃO EM PERIFERIAS URBANAS 01/12/2013

Equipe

Nome Categoria Início do Vínculo Fim do Vínculo
ARILSON SILVA TOMAZ Discente - Mestrado 23/03/2015 05/10/2016
MARIO SERGIO IGNACIO BRUM (Responsável pelo Projeto) Docente 01/12/2013 -
NEIVA VIEIRA DA CUNHA Docente 01/12/2013 -
PATRICIA PIZZIGATTI KLEIN Discente - Mestrado 28/05/2014 24/05/2016
PEDRO GEROLIMICH DE ABREU Discente - Mestrado 29/02/2016 20/08/2018
VANESSA ANDRADE LIRA DOS SANTOS Discente - Mestrado 23/03/2015 04/09/2017

Financiadores

Nome Natureza do Financiamento Início Fim
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - (Programa Nacional de Pós-Doutorado/Capes) BOLSA 01/12/2013 30/11/2018