Brasil

Dados da Disciplina

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
LITERATURA BRASILEIRA (33002010110P0)
CAMINHOS E IMPASSES DO MODERNISMO BRASILEIRO: MÁRIO DE ANDRADE E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
FLC
6082
8
01/01/2012 à -
Não
Objetivos Os principais objetivos do curso são: (1) analisar os projetos estéticos e ideológicos de Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade, duas das maiores lideranças do Modernismo brasileiro, e o diálogo ao mesmo tempo amoroso e tenso que eles mantiveram desde a fase inicial do movimento; (2) comparar as visões sobre a vanguarda, a modernização, o nacionalismo e o engajamento político apresentadas tanto na correspondência, quanto em poemas, narrativas e textos críticos publicados pelos dois escritores; (3) identificar, ao lado das conhecidas divergências, os dilemas e pontos de vista que eram partilhados pelo criador de Macunaíma (o incaracterístico “herói da nossa gente”) e o poeta gauche de Minas, um remanescente do mundo rural vivendo na cidade como um “bicho-do-mato”. Justificativa O extenso diálogo entre Mário e Drummond compõe uma espécie de história interna (íntima, profunda) do Modernismo brasileiro. Os dois amigos se conheceram em 1924, por ocasião da célebre excursão dos vanguardistas de São Paulo às cidades históricas mineiras. Havia entre eles diferenças básicas de temperamento. Na correspondência “eriçada de discordâncias”, lutavam o “indivíduo encaramujado” e o “escritor socializante”, segundo as expressões usadas por Drummond. A despeito das diferenças, Mário não demorou a reconhecer que eles possuíam a mesma “maneira de ser”, conforme se lê em uma melancólica carta de 1929: “a base de nós dois é a mesma timidez, mistura dos efeitos da época com o nosso no-meio-do-caminho-tinha-uma-pedra provinciano”. Os impasses do gauche espelham as contradições do multifacetado criador do “herói sem nenhum caráter”. Com seus destinos amaldiçoados, ambos os personagens encarnam dramaticamente a oscilação modernista (e bem brasileira) entre o país tropical e a civilização europeia, entre as raízes primitivas (ou provincianas) e a desejada, mas temida, modernização. Os bordões Ai! que preguiça!... e Eta vida besta, meu Deus — que estão entre os mais famosos da nossa literatura — dizem muito sobre a especificidade do Modernismo no contexto nacional. Conteúdo Modernismo, vanguardas e nacionalismo; modernismos de periferia; o primitivismo de Mário de Andrade (Clã do jabuti) e Oswald de Andrade (Poesia Pau-Brasil, Antropofagia); Macunaíma e o impasse entre primitivismo e civilização; o hibridismo da rapsódia e do “herói sem nenhum caráter”; a crítica à modernização e a nostalgia do mundo rural em Os contos de Belazarte; Carlos Drummond de Andrade e o grupo modernista de Belo Horizonte; o gauchismo, o individualismo e a oposição entre província e cidade moderna na poesia de Drummond; a correspondência de Mário e Drummond no período de 1924 a 1945; Drummond segundo Mário e Mário segundo Drummond; o diálogo dos dois escritores como representação de impasses específicos do Modernismo brasileiro.
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