Brasil

Dados da Disciplina

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
LITERATURA BRASILEIRA (33002010110P0)
A ARTE DE FURTAR-SE: CULTURA E (DES)ORDEM
FLC
62441
4
19/05/2015 à -
Não
Objetivos: O objetivo deste curso é investigar como a “internalização da ordem” se atualiza na reflexão sobre a experiência brasileira, no ensaio e na ficção, tendo o Caribe como contraponto. Justificativa: Ao detectar, no balanço entre ordem e desordem, um dado estrutural da sociedade, Antonio Candido se apoiou na compreensão dos espaços estabelecidos à margem da lei, apontando para debates fundacionais do modernismo no Brasil. Recentemente, o tema reapareceu na discussão de José Miguel Wisnik sobre o ensaísmo da década de 1930, e em sua aposta no valor hermenêutico das ambiguidades de Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. A condição periférica aprofunda a possibilidade do enfrentamento da norma por vias oblíquas e sinuosas, postulando um plano em que o sujeito ganha sempre a meias, recuando quando quer avançar, negando-se quando quer se afirmar, e dissimulando quando pretende se expor. Trata-se de uma delicada arte de furtar-se ao confronto e à dureza da regra, inaugurando aquilo a que, pensando na linguagem e no fluir das relações eróticas e políticas, Arcadio Díaz-Quiñones chamou “el arte de bregar”. Se a potência do lúdico e da soltura condiciona padrões de relacionamento vivos, ela ao mesmo tempo mantém o sujeito atado aos limites concretos da ação, fazendo-o bailar nos interstícios da ordem: explorando-a, mas jamais rompendo-a, numa funda e talvez produtiva impotência diante do poder da lei. Ou, como diria Riobaldo: “Lei é lei? Loas! Quem julga, já morreu.” Conteúdo: 1. Apresentação do curso: o balanço entre a ordem e da desordem. 2. “Espontâneo e aderente aos fatos”: Candido, Schwarz e a avaliação da desordem na experiência brasileira. 3. “Desordem de quê?”: Sérgio Buarque de Holanda, o elogio da espontaneidade e a crítica ao pensamento autoritário. 4. “Quem julga, já morreu”: a formação do espaço em torno de lei em Guimarães Rosa. 5. “No fundo do poço”: metáforas e práticas da luta política e cultural no Caribe hispânico. 6. “Leveza profunda”: Wisnik e a ocupação do horizonte do ensaio no pensamento brasileiro. Forma de Avaliação: Trabalho final de aproveitamento
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