Brasil

Dados da Disciplina

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
LITERATURA BRASILEIRA (33002010110P0)
JAGUNÇAGEM, MALANDRAGEM E MARGINALIDADE: AMBIVALÊNCIA E VIOLÊNCIA NA LIT. E NA MÚSICA
FLC
62461
4
19/05/2015 à -
Não
Objetivos: Analisar as vicissitudes e os destinos da cadeia complexa de ambivalência e violência em situações da cultura contemporânea nas quais os avatares da malandragem e da jagunçagem, agora urbana, assumem novas dimensões. Justificativa: Antonio Candido situa a figura do jagunço não como a de alguém que se opõe a uma ordem constituída, mas como quem faz parte indissociável de uma ordem-desordem cujos elos de transmissão passam necessariamente por ele. Aplica-se o nome “tanto ao valentão assalariado e ao camarada em armas quanto ao próprio mandante que os utiliza (...) para impor a ordem privada que faz as vezes de ordem pública”. Não se distingue, portanto, o interesse público do interesse privado, nem a política da economia, nem a lei do Estado da regra da aliança e da vingança. Se, no sertão, a lei não se constitui como a instância separada de uma ordem jurídica, no Rio de Janeiro de Manuel Antonio de Almeida, tal como analisada também por Antonio Candido, a lei se apresenta como uma referência lábil e malandramente “dialetizada”, submetida à porosidade entre os hemisférios da ordem e da desordem. É possível pensar que as duas análises se completam, ambas fundadas na categoria da reversibilidade – “o homem dos avessos” rosiano, por um lado, e a “dialética da malandragem” por outro. Jagunço e malandro, radicalmente contrários nos modos da sociabilidade, são equiparáveis enquanto figuras simetricamente opostas da ordem-desordem brasileira. Conteúdo: 1. Introdução: cidade e sertão, ordem e desordem, lei e costume, regra da aliança e da vingança. 2. Cabedal e carnaval, repressão e festa, festa e rixa, ordenamento jurídico e cadeia de propinas: relendo Memórias de um sargento de milícias. 3. Primícias desencontradas da urbanização do sertão e um malandro extraviado. 4. Samba e construção da nacionalidade, nacionalidade e construção do samba. 5. Alta malandragem na poética e na estética da canção brasileira. 6. Cidade-sertão: Canudos e Carandiru, sistema carcerário e vida nua, emergência da marginalidade, impacto cultural, rap, funk e rupturas. Forma de Avaliação: Trabalho final
Antonio Candido. “Dialética da malandragem” (O discurso e a cidade). Edu Teruki Otsuka. “Espírito rixoso: para uma reinterpretação das Memórias de um sargento de milícias” (Revista do IEB n. 44). Roberto Schwarz. “Pressupostos, salvo engano, de ‘Dialética da malandragem’”. Antonio Candido. “Jagunços mineiros de Claudio a Guimarães Rosa” (Vários escritos). ______________. “O homem dos avessos” (Tese e antítese). Guimarães Rosa. “Famigerado”, “Os irmãos Dagobé”, “Fatalidade” (“Primeiras estórias”). _____________. “Traços biográficos de Lalino Salãnthiel ou A volta do marido pródigo”. Bibliografia auxiliar José Antonio Pasta Junior. “O romance de Rosa: temas do Grande Sertão e do Brasil” (Revista Novos Estudos n. 55). José Miguel Wisnik. “O famigerado” (Sem receita – Ensaios e canções). Hermano Vianna. O mistério do samba. Carlos Sandroni. Feitiço decente (Parte II) Luiz Tatit. “Dicção de Noel Rosa” (O cancionista). Maria Rita Kehl. “Sala de recepção” (Lendo música). Lorenzo Mammì. “João Gilberto e o projeto utópico da bossa nova” (Revista Novos Estudos n. 34). Nuno Ramos. “Ao redor de Paulinho da Viola” (Ensaio geral). Caetano Veloso. “Elvis e Marilyn” (Verdade tropical). _____________. “Diferentemente dos americanos do norte” (O mundo não é chato). Roberto Schwarz. “Cidade de Deus” (Sequências brasileiras). João Camillo Penna. Escritos da sobrevivência (“Introdução”). João Cezar de Castro Rocha. “Dialética da marginalidade – Caracterização da cultura brasileira contemporânea”. Walter Garcia. “’Diário de um detento’: uma interpretação” (Lendo música). Hermano Vianna. “C-i-d-a-d-e-d-e-D-e-u-s” (Lendo música).

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